PÁGINA DO ESCRITOR

LUIZ MAIA

Jogo Aberto

Escritor e poeta Luiz Maia

Recife – PE

 

Publicado em janeiro de 2013

 

Jogo Aberto - Um pouco de você.

Luiz Maia - Sou pernambucano do Recife. Casado com Ana Emília e autor de cinco livros: "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar", "Cânticos", "À flor da pele" e "Tamarineira - Natureza e Cidadania". A experiência de escrever crônicas e publicá-las em livros reforçou em mim o gosto pela literatura. Ler é essencial, ler é quase saber. Hoje caminho pela vida, carrego comigo alguns sonhos na cabeça e a esperança acesa no coração.

 

Jogo Aberto - Sua experiência nesta área assumiu a dimensão desejada?

Luiz MaiaCreio que sim. É certo que não tenho pretensões a não ser escrever textos e publicar posteriormente no meu site.  Procuro opinar sobre vários temas, o estilo crônica possibilita isto por ser abrangente. Além do amor, nostalgia, meio ambiente e política eu procuro traduzir o simples universo no qual gira o cotidiano das pessoas. Sentir a dor alheia, denunciar os problemas que ocorrem com a sociedade para mim é fundamental. Às vezes torna-se necessário emprestar a voz àqueles que não têm como falar.

 

Jogo Aberto - Você professa alguma religião?

Luiz Maia - Nasci em um lar cristão, meus pais católicos, não sou religioso mas creio em Deus, o Arquiteto do Universo. A Energia Cósmica é Deus. As religiões no mundo fizeram mais mal do que bem. Homens promovem as guerras em nome de um falso deus. Todos os dogmas são fundamentalistas, eles representam perigo. O fanatismo engessa o ser humano. Limita-o ao universo restrito de uma seita qualquer. O homem busca de todas as maneiras ser a imagem e semelhança de Deus. Com todo o respeito, isto é pura pretensão.

 

Jogo Aberto - As pessoas hoje em dia estão mais felizes com sua sexualidade?

Luiz Maia - Creio que sim, embora haja um espaço enorme para muitas dúvidas. A juventude atual é mais sadia, menos hipócrita. Aos poucos as pessoas vão  descobrindo uma forma nova de vivenciar sua sexualidade. Sexo e amor são distintos em essência. Podemos até amar a pessoa com a qual fazemos sexo, mas sexo não implica na necessidade de sentirmos amor por essa pessoa. Amor é o mais nobre dos sentimentos humanos, algo sublime que engrandece as pessoas. Enquanto sexo, além de possibilitar a preservação da espécie, tem o poder de nos causar prazer. Aos olhos dos mais conservadores pode parecer absurda esta afirmação, mas um dia ela prevalecerá. Os jovens já vivem essa realidade.

 

Jogo Aberto - Qual a conotação que você daria ao jeito moderno das pessoas se relacionarem sexualmente?

Luiz Maia - Acho o ideal, mesmo sabendo que toda mudança traz dúvidas e preocupações para posterior discussão. Felicito àqueles que fazem do ato de amar sua razão de vida. Feliz o dia em que os vossos filhos ao olhar seus netos a se amar debaixo da sombra de uma árvore, em vez de questionar se é certo ou errado, simplesmente possam escrever uma poesia em homenagem à felicidade dos enamorados. Neste aspecto a atual geração é muito mais feliz que a nossa, em que pese sabermos dos muitos descaminhos que a mudança de paradigmas tem causado. Amor e respeito são ingredientes fundamentais para uma relação saudável.

 

Jogo Aberto - Em suas crônicas você destina um olhar especial às mulheres. Traduza isso...

Luiz Maia - A mulher é o ponto alto da criação divina. O lado colorido do mundo. Mulher é bicho estranho: todo mês sangra. Mãe, filha, companheira, como não exaltar aquela que exerce um fascínio especial nos homens? Mulher: sucessão de curvas sinuosas, perigosas porém belas. Encantam por ser de rara beleza, mesmo levando ao desespero o coração do homem, bicho bobo na mão de toda mulher.

 

Jogo Aberto - Seus textos demonstram a preocupação com as injustiças sociais. O que mais o incomoda?

Luiz Maia - Claro que sim. Um dos mais graves é a gravidez indesejada, mulheres que põem no mundo crianças sem condições de uma vida digna. Por isto defendo a imediata implantação do controle de natalidade pelo governo Federal. Evita-se desse modo que crianças perambulem sem escola, sem alimentação, sem vida decente. Se olharmos com responsabilidade veremos que o governo deixa muito a desejar. O egoísmo do ser humano é incompatível com os ensinamentos cristãos. Quando eu penso na vida que levo e lanço meu olhar ao redor do mundo, começo a perceber o quanto que eu sou feliz e o quanto que preciso agradecer a Deus por isso. Mas não consigo esquecer a ligação entre o egoísta e as injustiças sociais. Eu não me envaideço de pertencer à espécie humana.

 

Jogo Aberto - Sua impressão do atual contexto político no País...

Luiz Maia - Muito preocupante. Minha preocupação com o Brasil não vem de hoje. Refiro-me ao bem-estar coletivo. Infelizmente as instituições brasileiras são tomadas de assalto por aqueles que detêm o poder. Vivemos uma pseudo democracia cujas autoridades transformam os espaços públicos em "fundo de quintal". Os inúmeros escândalos provam que não somos um País sério. Aquele que se debruçar sobre a história da política brasileira verá que a malversação do dinheiro público é prática recorrente. É preciso questionar o País que em que vivemos.  Vejo nas crianças o futuro deste País. Daí a minha necessidade de fazer com que as pessoas reflitam sobre qual o País que estamos legando para os nossos filhos.

 

Jogo Aberto - Em que pese seu aparente desconforto, você acredita que o Brasil pode mudar para melhor?

Luiz Maia - Realmente não sei. Já não existem em mim tantas certezas, verdades ou esperanças. Talvez o medo de nada acontecer. Estamos agora passando por momentos de muita angústia, vergonha e constrangimento no País. Instantes de purgação e mudanças. Neste momento o que habita em mim é apenas uma acentuada dose de compaixão por nossas vidas. A realidade às vezes é dura demais. Eu gostaria muito dizer bem alto dessa minha esperança em manter a chama sempre acesa. Crer em dias melhores. Por mais difícil que seja, apenas para causar nas pessoas um efeito animador.

 

Jogo Aberto - O que o inspira a expressar o seu amor à vida, às pessoas em geral?

Luiz Maia Inúmeras coisas: minha família, minha mulher, os amigos. Enfim, o prazer de me sentir útil. Viver, estar vivo, sentir-se feliz com isso já é um grande milagre a meu ver. Algumas experiências de vida implicam em falar desse sentimento. Tenho prazer de saborear a vida, gosto de enaltecer os vários aspectos do amor. Amar a natureza e toda a forma de vida do planeta é essencial. Dizer que amamos tantas vezes quanto nossa capacidade de compreender que somos seres únicos, com o poder de nos enamorarmos sempre que o coração pedir. Tudo como se fosse nossa primeira vez.

 

Jogo Aberto - O fato de amar a vida está ligado a necessidade de se amar alguém?

Luiz Maia - Creio que não necessariamente, mas seria o ideal. Olhar o céu, o mar, tudo é mais prazeroso quando amamos alguém. Renascemos a cada momento quando brota em nosso coração o desejo por alguém, a vontade de estar mais perto da pessoa amada. Mas conheci pessoas que passaram a vida inteira amando de diferentes formas. Homens que conseguiram escrever seu destino de amor em amor, como os amantes apaixonados ao lado da primeira namorada. Essas pessoas conseguem amar seguidas vezes porque nelas existe um permanente espírito recriador, amam tanto quanto sua capacidade de saber reinventar esse amor. O simples ato de amar alguma coisa é fundamental. O Amor é a própria essência da vida!

 

Jogo Aberto - Qual a sua opinião a respeito dos crimes cometidos diariamente contra o cidadão brasileiro?

Luiz Maia - A omissão das pessoas é a principal responsável pelas mortes ocorridas no País. Bandidos irrecuperáveis, meliantes que não têm o menor respeito pela vida humana, praticam dezenas de crimes, banalizam a vida e não existe nenhuma reação objetiva para mudar o caos. Enquanto os criminosos permanecem soltos, o Congresso ignora a necessidade de se implantar penas realmente duras no País. Parece que vivemos no mundo da ficção, como se a realidade pudesse ser abstraída. A sociedade brasileira vem sendo vítima também de um Código Penal ultrapassado e conivente com o crime. Por sua vez somos vítimas de um Congresso malogrado que não representa a vontade do povo. Parlamentares pusilânimes, sobretudo hipócritas, fecham os olhos à necessidade de se rever urgentemente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Não se deve dar uma “carta de alforria” para que muitos desses menores passem a delinquir como ocorre diuturnamente no País.

 

Jogo Aberto - Neste mundo conturbado, as pessoas parecem que estão com medo de amar, de assumir um compromisso.

Luiz Maia - Isto ocorre com frequência. Quem nunca sofreu por amor? Tenho minhas dúvidas se as pessoas sabem administrar as questões amorosas. O mundo mudou e as pessoas estão se ajustando à realidade de uma nova concepção de sociedade. Paixão e amor são a mesma coisa? Desejar, ficar apaixonado por alguém seria uma forma de amor? Eu reconheço que não sei dizer. Na minha infância eu era uma criança despertando para a sexualidade. Mais velho, já rapaz e ainda assim inexperiente, cansei de ouvir que eu deveria aprender a separar paixão de amor para não me machucar adiante. Eu ficava sem entender direito aquela conversa acadêmica. Quantas vezes disseram-me que amor, desejo e paixão são sentimentos distintos. Já passei por tudo isso, e continuo sem entender corretamente as coisas. Não existem fórmulas prontas para nada. O melhor é estar sempre aberto às novas experiências, mesmo que venhamos a nos decepcionar adiante.

 

Jogo Aberto - De onde vem sua ligação com o Verde, a necessidade de exaltar a mãe-natureza?

Luiz Maia - Nasci na cidade do Recife. Sou um homem urbano com os olhos voltados para o interior. Faço apologia aos ensinamentos do saudoso professor e ecólogo Vasconcelos Sobrinho, na sua eterna luta por mais áreas verdes e pela preservação do meio ambiente. Há muitos anos que eu tento fazer com que as pessoas entendam que uma árvore é mais importante para a vida do planeta do que o próprio homem. Elas viveriam muito bem sem a nossa presença, já o homem morreria se não fossem elas a nos propiciar o oxigênio que respiramos. Preocupam-me as poucas áreas verdes do Recife. Gostaria que os futuros prefeitos destinassem mais áreas verdes aos espaços públicos e tivessem mais respeito à memória da cidade. Minha ligação com o verde, com a flora e com os animais é algo bonito dentro de mim. Meu espírito é ecológico por natureza.

 

Jogo Aberto - Como explicar a loucura do tempo?

Luiz Maia - O homem imagina que detém todo o conhecimento do mundo, que é inteligente a ponto de destruir florestas inteiras como se um dia nada pudesse lhe acontecer. Esquece este homem que a natureza não perdoa quem a agride desse jeito. Um dia ela vai responder cobrando tudo o que lhe foi tirado. É a lei da vida. Nosso planeta é belo. O Brasil talvez seja o País mais importante do globo devido à diversidade do seu ecossistema. Mas o brasileiro parece não dar valor a toda essa riqueza que é sua. É uma pena. Eis uma das razões desse tremendo calorão.

 

Jogo Aberto - Numa de suas crônicas você fala dos homens simples do interior, algum em especial?

Luiz Maia - Guardo na memória as conversas que eu tive com meu amigo Horácio. Matuto do interior pernambucano, sertanejo dos bons, Horácio só se refere às pessoas chamando-as de "doutor". Não adianta reclamar; é um hábito seu. Trata cada um com muito respeito, nunca larga o chapéu e tem sempre alguma coisa a nos dizer. É um prazer encontrar-me com ele. Cumprimento-o quando chego e passamos logo a conversar. A partir desse momento prefiro calar para somente ouvi-lo...

 

Jogo Aberto - Pelo visto seu amigo ”matuto” tem muito a nos ensinar... 

Luiz Maia - Claro que sim. É fácil subestimar a experiência do homem simples. Ele é um sábio em seus pronunciamentos apesar do pouco ou nenhum estudo em sala de aulas. São ensinamentos de um homem de hábitos simples mas que guarda intimidade com a natureza e tudo faz para preservá-la. Ao término de nossas conversas fico sempre a me perguntar: onde fica esse muro que nos impõe tantos limites? Que sociedade de classes é essa que teima em querer nos separar? Quando mudaremos essa falsa realidade? Perguntas que um dia seu Horácio certamente vai me responder

 

Jogo Aberto - O que o leva quase sempre a falar de saudade, um tema tão batido para muitos?

Luiz Maia - Como esquecer uma época em que tudo parecia mágico? Hoje em dia, distante da mocidade, passei a me sentir um estranho ao caminhar por ruas, praças e shoppings da cidade. Quanto mais ando, por antigos e novos endereços, lembrando o Recife de antigamente, a cada passo que eu dou mais a cidade me parece estranha. Minha angústia existencial aflorou quando eu comecei a perceber que as pessoas passam por mim sem sequer me notar. Algo difícil de ocorrer nos anos sessenta. Mesmo morando na mesma cidade, o fato é que as pessoas hoje passam por mim sem saber quem eu sou. Do mesmo jeito como eu não conheço ninguém. Sinto falta de tudo que é simples, do que me parece vital: dos raios de sol ao cair da tarde, rompendo as folhas das mangueiras do meu quintal; do arco-íris por sobre as roupas dependuradas, que pareciam porta-estandartes coloridos nos varais. Do cantar admirável dos pássaros nos galhos das laranjeiras, tornando mais bonito o amanhecer. O aroma de jasmim que adornava os jardins das residências nas Graças, Rosarinho, Água Fria e Derby, está até hoje gravado na mente.

 

Jogo Aberto - Qual o segredo dessa empatia com os seus inúmeros amigos leitores?

Luiz Maia Essa conquista é fruto da relação de confiança com as pessoas que participam do meu grupo de mensagens. Elas recebem meus textos semanalmente. O respeito mútuo só conseguimos quando somos autênticos nos temas que abordamos. Geralmente somos surpreendidos pela aceitação daquilo que somos e nos propomos a fazer. O destino da humanidade se resume na infinita necessidade que temos de ser, de existir como seres humanos. E só somos alguém ao nos aproximarmos do outro; só existimos iniciando uma conversa, por mais breve que seja com quem está ao nosso lado. Quando buscamos descobrir no outro as carências que estão latentes em nós mesmos. Muito simples, creio eu.

 

Jogo Aberto - Qual o recado que daria às pessoas que veem semelhanças de sentimentos com os temas que costuma escrever?

Luiz Maia - Eu diria que todos somos iguais. Quando muito diferenciamos no modo de expressar nossos sentimentos. Durante sua permanência nesse mundo alguns homens e mulheres seguiram construindo seus sonhos de significante grandeza, sem mesmo tomarem conhecimento de sua importância no embelezamento da vida. Fizeram de seu viver exemplos de como deveríamos interagir uns com os outros. Romperam obstáculos e preconceitos sem ligar para o que as pessoas diziam. Ousaram quando tentaram vencer o mundo. Essas pessoas compreenderam que sem esse amor seria como se lhes faltasse o próprio ar que respiram. Todas têm o dom dos poetas porque sabem ler a alma humana, gente que se impõe pelos gestos engrandecedores. Seres com estranhos desejos, tanto que por meio de suas ações dão exemplos de amor ao mundo. Pessoas que pensam no próximo em cada minuto de suas vidas. Pessoas simples, mas que trazem consigo sentimentos em códigos que ninguém conseguiu traduzir um dia.

 

Jogo Aberto - Qual a impressão que tem do atual nível da mídia brasileira?

Luiz Maia - A pior possível. Na política, nas artes, cultura e entretenimento o mau gosto predomina de forma avassaladora. Parece que o destino da maioria dos brasileiros é atingir a mediocridade total. De porcaria em porcaria o brasileiro vai se acostumando a ver e ouvir o que não presta, o que não faz sentido e o que não tem valor. É muita mediocridade. Fica difícil conviver com pessoas que sintonizam o que não presta, sem nenhuma cerimônia. Não há a menor preocupação em selecionar, fazer escolhas, apontar na direção de algo interessante que nos inspire alguma coisa boa, algo decente de se ver. É dificil ficar sem opiniar quando necessário. Só vou calar quando não mais puder expressar um desabafo.

 

Jogo Aberto - Uma palavra destinada a pais e filhos...

Luiz Maia - É comum escutar críticas aos mais jovens por não obedecerem a seus pais por não respeitarem os mais velhos ou pensarem que sabem de tudo e que os mais idosos não passam de uns ultrapassados. Sabe-se que a irreverência e a contestação são marcas próprias do adolescente, em qualquer época. A verdade é que essas afirmações são procedentes e fazem parte do atual contexto sócio-familiar. Tudo bem, isso é incontestável. Mas é preciso também considerar o fato de muitos pais serem ausentes do dia-a-dia de seus filhos, seja pela correria da vida moderna ou pela realidade de terem de trabalhar duro para sustentar suas famílias. Enquanto existir o vácuo da presença dos pais na vida dos filhos, a fragilidade na relação se acentuará e as distorções que acabo de mencionar prevalecerão. Neste caso, são os jovens os que mais perdem com isso.

 

Jogo Aberto - Uma máxima...

Luiz Maia - Existe um sentimento Universal de satisfação em nós quando fazemos algo de bom e positivo aos outros, assim como o de tristeza quando cometemos alguma injustiça com o próximo.

 

Jogo Aberto - Uma verdade...

Luiz Maia - Minhas verdades são todas relativas. Houve um tempo em que eu acreditei na possibilidade das pessoas serem mais solidárias. Apostei na esperança de ver uma humanidade mais feliz, melhor em todos os aspectos. Talvez tenha sido isso o que de melhor ocorreu em toda minha vida. Nada nesse mundo é eterno. Nada é para sempre. Não nos ensinaram nas escolas sobre dores, falências, desenganos, saudade e desencontros. Somos um bando de despreparados para enfrentar a vida.

 

Jogo Aberto - A mais importante das utopias? 

Luiz MaiaO dia em que nascerá uma sociedade permeada pelo entendimento e respeito às mais diversas diferenças, sejam elas de caráter religioso, político, crença, doutrinário, étnico, etc. Um Mundo Mãe no qual ninguém padecerá.

 

Jogo Aberto Nessas considerações finais, o que você gostaria de dizer mas que nunca teve oportunidade...

Luiz Maia Tenho a consciência de que o tempo urge. Preciso olhar, no rosto de quem eu prezo, a beleza que esqueci de ressaltar. Há em mim uma vontade imensa de prestar uma homenagem às pessoas que amo; a muitas que eu sequer conheço mas não sei como fazer. Elas já sabem do meu amor e do bem-querer por aquelas que me rodeiam, que gostam de mim. Quero falar desse meu jeito de gostar da família, dos animais, da vida. Presto atenção em tudo que a natureza me diz pelo fato de vê-la como a razão do nosso existir. Nada melhor do que apreciar o fascínio que Ana tem pela leitura, seu zelo com os animais e com o trabalho que desempenha com brilhantismo. Preciso falar do olhar sereno e dos gestos simples de minha mãe. Na infância eu tive medo do escuro, do raio, do trovão. Mas encontrei nos braços de minha mãe o abrigo acolhedor. Já andei mundo afora, refiz caminhos, diminuí as passadas quando foi preciso parar. Amei a vida em doses homeopáticas, realizei planos, sonhei com o melhor para a espécie humana, mas confesso que nem sempre fui feliz. Já fui idealista, sofri desenganos, sobrevivi aos problemas quando muitos nem acreditavam mais em mim. Hoje, caminho a contemplar mais pores do sol. Aqui no meu canto calado, sinto-me como se eu fosse a madrugada que se despede de nós sem ser notada. Às vezes é preciso passar dos quarenta anos para só então compreender que o melhor da vida é poder passar despercebido neste mundo. É estar só sem aquele sentimento de solidão presente. Viver sem ter compromisso com agenda, horários; sem se preocupar com o que as pessoas venham a pensar sobre você. Pouco importa a impressão causada, a demora na fila, a comida atrasada, se vai chover ou fazer sol. Já está impregnada na pessoa a consciência de que tudo passa e que é preciso apenas viver.

 

Academia de Letras da Madalena – Recife/PE:

http://academiadospoetas.com/



Entrevista ao Jornal'Ecos:

http://www.luizmaia.blog.br/entrevista.htm


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