Álbum de fotografias

Luiz Maia

Quem não se lembra daquelas fotos tiradas com a família, ou em companhia dos amigos em algum lugar qualquer? Era um tempo de tantos abraços, tantos encontros... Eram tantas as alegrias que não dá para esquecer. Bastava uma viagem, um casamento, um batizado ou a primeira comunhão de uma criança para as pessoas registrarem o fato por meio de fotografias que ficavam para a posteridade. Mas o tempo de visitas e dos encontros fortuitos passou - virou saudade e o que vale é recordar. Hoje tudo é diferente, tudo mudou. O que resta agora é a lembrança de uma época rica em confraternizações. Por que já não vemos mais nossos parentes com a frequência de antes? Qual a causa de não nos encontrarmos mais com nossos primos, tios e tias, como ocorria antigamente? Por que a vida costuma afastar uns dos outros, friamente, sem nenhuma explicação? Atualmente quase ninguém sabe onde os parentes moram, poucos se preocupam com a vida que eles estão levando. Eles só fazem parte simplesmente dos álbuns de fotografias. Já se foi a época em que os pais pegavam seus filhos aos domingos para visitar os avós. E ao chegar por lá muitos parentes já estavam presentes. E a festa estava formada! Os dias de domingo eram aguardados com muita expectativa. Enquanto isso a vida da gente segue seu curso normal sem que os saudáveis encontros não mais aconteçam.


A solidão apregoada por muitos pode ser explicada pela falta das visitas que tanto bem causavam às pessoas. Muita gente parece ter esquecido os benefícios causados por esses encontros. O ser humano é muito estranho. Nunca se viu tanta individualidade como agora. As pessoas expressam um tipo de carência explícita, como quem procura infindavelmente por alguém, ressentindo-se da conversa olho-no-olho. Muitos seguem suas vidas sentindo a falta de abraços, outros buscam ouvir uma piada que somente aquele tio sabia contar. O que se percebe são palavras que ficam presas na garganta da gente sem ter a quem dizê-las. Como somos complexos em essência, não é nada prazeroso viver assim. Talvez só a maturidade nos permita fazer esse tipo de reflexão. A verdade é que deveríamos ser mais presentes, estar mais vezes juntos, sem esquecer o outro nem parecer indiferente. Quando as pessoas estão mesmo interessadas uma na outra, tudo fazem para encurtar distâncias...





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Conversa de fim-de-semana

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