Amenidades

Luiz Maia

Dia desses passei algumas horas conversando no apartamento de uma amiga que conheço faz anos. Éramos um grupo bastante heterogêneo quanto à formação cultural e religiosa. Pessoas que cultivam hábitos simples, comuns. Falamos de tudo: sobre a fugacidade da vida, da rapidez de como nossos corpos se transformam, da inevitabilidade da morte, das dores e alegrias que os amores nos causam. Discorremos sobre a natureza ameaçada pelo homem, do desamor tão presente nas relações afetivas na atualidade, dos desenganos e alegrias que a vida nos proporciona. Aproveitei a diversidade de assuntos para lembrar daquelas pessoas que, embora sendo boas em essência, vivem passando por momentos difíceis.

Frisei que, por mais paradoxal que possa parecer, elas geralmente não reclamam dos problemas como outros costumam fazer. Mesmo assim, vê-se que todas têm sempre na ponta da língua respostas para nossas angústias e exibem um sorriso nos lábios traduzindo a beleza de suas almas. Não seriam elas mais felizes que muitos de nós? Insisti dizendo que apesar da ausência de alegria em suas vidas, das distâncias infinitas, dos desejos reprimidos externados de diferentes formas, de tudo que venha a atrapalhar uma convivência mais repleta de realizações - onde estejam presentes os verdadeiros sabores da vida -, apesar de tudo, todas têm muita esperança na vida. Acreditar que é possível é a única saída de que dispomos para mudar a realidade.


Mesmo dentro de um contexto adverso, há pessoas que só fazem o bem. Existem centenas de seres humanos que comungam do mesmo pensamento mundo afora. Mas, se ainda não vislumbramos um mundo de acordo com nossas expectativas, não podemos esmorecer. Certamente o que está faltando é conseguir um jeito de unir cada um desses pensamentos em torno de uma causa comum, objetivando sempre o bem-estar da humanidade. Creio que não podemos em hipótese alguma deixar a chama da esperança apagar. Temos que deixá-la permanentemente acesa porque em algum lugar do universo a nossa voz um dia ecoará. E, mesmo que a escuridão prevaleça e não canse de fazer-se escuro em nossas vidas, um dia haverá de ocorrer um clarão nos céus lembrando as palavras de Deus. Não nos esqueçamos pois de que somos todos filhos da esperança. Como é bom poder refletir em cima dessas questões.

Repentinamente, em meio àquela prazerosa conversa, entra pela sala uma jovem muito bonita, pedindo para que sua irmã a levasse ao cinema, pois havia marcado um encontro com seu namorado. Ao sair da sala, tão espontaneamente linda, creio que não nos restava nada mais a fazer ali, a não ser contemplar sua beleza e elevar a maravilha que é a adolescência. Após esses parênteses nos recompomos e nos despedimos de mais uma tarde-noite gostosas, ricas em experiências trocadas na mansidão do silêncio. Ouso relacionar a descontração dessa jovem com o caráter simbólico de nossa conversa, onde os questionamentos de vários aspectos da vida se perderam diante do frescor da juventude presente naquela moça, filha da anfitriã.

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