Anos 60

Luiz Maia

Às vezes voltar no tempo dói ao compararmos certos aspectos do passado com fatos que se nos apresentam agora. É o caso da década de sessenta que ficou em nossa memória. Naquele tempo havia mais opções e práticas culturais que hoje. Não se trata do número de salas de cinemas, nem da quantidade de teatros que existiam no País. Os anos sessenta foram um período fértil em todas as áreas ligadas à arte em geral. Não é sonho, mas a pura constatação. Não se trata de números, mas de qualidade de vida.

A questão é mais profunda e tem a ver com um maior engajamento da sociedade como um todo, coisa difícil de ocorrer hoje em dia. Naquele período era inegável que dispúnhamos de mais opções e de melhores condições de trabalho na área artística. Como exemplo eu diria que atrizes e atores eram de fato obrigados a ler Shakespeare. Imprescindível era aprender as lições de interpretação com o pai da dramaturgia Universal. Lembro-me de vários artistas que iniciaram na artes cênicas fazendo teatro nos palcos e/ou nos canaviais pernambucanos. Hoje a coisa mudou. Basta ter um rostinho bonito e um bumbum insinuante para virar artista de televisão. É muito diferente. Como todo conceito extensivamente mal utilizado, a Arte também tem sofrido distorções de uso e esvaziamento de seu real significado.

O nível das escolas públicas era infinitamente melhor que hoje. Difícil era o educandário particular que podia concorrer com o ensino púbilico daquela época. Os professores eram chamados de mestres, dado o respeito que eles impunham. Os pais eram mais respeitados e os filhos mais obedientes e responsáveis que na era moderna. Sou contemporâneo daqueles que viram surgir artistas fantásticos da estirpe de um Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Tayguara, Tom Jobim, Gilberto Gil, João Gilberto, Paulinho da Viola, Luiz Gonzaga, MPB 4, Beatles, Elvis Presley, etc. Época de ouro onde pontificavam nomes que ficaram famosos nas mais diversas atividades, como Che Guevara, Dom Hélder Câmara, Henfil, Pelé, Geraldo Vandré, Garrincha, Cassius Clay, Nara Leão, Antônio Maria, etc. Bons tempos. Inegavelmente superior em qualidade e em oportunidade de escolhas. Como não lembrar desse tempo? Como não fazer comparações?

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