Cai a névoa

Luiz Maia

Gosto de olhar aquela jovem, menina de traços marcantes, de pele morena e olhos meigos capazes de seduzir as pessoas. Cá estou eu novamente parado, contemplando sua beleza estonteante, seu jeito de menina moça a embelezar minhas tardes tristonhas. Neste instante me vejo submerso nas poesias, estórias que falam de paixões que induzem as almas sensíveis a trilhar os caminhos dos sonhos, a construir inúteis cartas de amor que tentam transformar tímidos apaixonados em sedutores amantes. A noite chega trazendo consigo a possibilidade de mais encontros soturnos, momento em que os fracassos amorosos acontecem e o bôemio solitário se embriaga na vã tentativa de se fazer feliz.


Cai a névoa da madrugada, envolvendo a mim num profundo sono. Sucumbo às investidas dos raios de sol dourados da manhã. À tarde eu a observo sorrindo; seu corpo esguio, sensual, curvas generosas a caminhar na minha direção. Todas as manhãs ela nem imagina meus pensamentos, quando a vejo de calça jeans, blusinha de alças, destacando seu colo farto e suas formas sedutoras. Tamanha beleza reside na simplicidade com que caminha, com passos largos em direção à vida. Quando a tarde cai, eis que ela já caminha com seus passos lentos, sacudindo naturalmente os quadris, movimentos calculados cujo balanço se assemelha a um poema de amor. Ouço, como em todas as manhãs, a sinfonia dos pássaros a me avisar de mais um passeio da jovem enamorada, que percebe claramente os olhares interessados dos sonhadores em tê-la ao seu lado um dia. Quem sabe um dia ela venha perceber o meu olhar errante.



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Conversa de fim-de-semana

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