Confissões íntimas

Luiz Maia

Certo dia encontrei uma ex-namorada num Shopping. Nos anos sessenta, quando a conheci, era tida, por todos que a conheciam, como uma "jovem avançada" nos seus 16 anos de idade. Nada a impedia de viver a seu modo. Sempre arranjava um jeito de impor sua maneira de ser. Nunca se importou com o que os outros pensavam a seu respeito. Alegre e extrovertida, sua presença era sempre requisitada por ser uma agradável companhia. Conversamos por um bom tempo, rimos das bobagens do passado, lembramos os tempos de juventude, recordamos momentos agradáveis. Mas ao falar das amizades antigas um detalhe me chamou a atenção. Lamentou-se pelas amigas que não sabem aproveitar a vida, presas que estão a valores equivocados. Disse-me não entender porque algumas pessoas se fecham para o mundo após se casarem. Algumas, disse-me ela, já descasadas e com um aspecto de mulher sofrida. Quando ainda solteiras eram felizes, mas hoje parecem mal resolvidas. Eram amigas e confidentes, mas hoje a amizade entre elas acabou. Suas palavras me tocaram e me fizeram refletir. 

Conheço casos assim de mulheres que esqueceram as amizades do tempo de solteiras. Muitas mudaram-se de bairro, de nome e dizem que o passado não mais interessa. Por vezes não desejam rever um ex-namorado nem em fotografia. Há pessoas que pensam realmente assim.  Parecem desejar que o passado não tenha existido. Rever amigos pode trazer à lembrança relações sofridas que causaram ressentimentos impossíveis de contornar. Assim, esquivam-se de conversar com os amigos de outrora para contar as novidades e experiências vividas. A idéia de ser único na vida do outro, embora pareça uma fantasia romântica, ainda permite que homens e mulheres se unam em busca de uma vida feliz a dois. Quando isso não acontece, o caminho mais fácil parece ser a indiferença. Para muitos, o fim de uma relação mata definitivamente o amor que um dia existiu. Matam-se o amor e as amizades. São necessárias maturidade, auto-estima e respeito próprio para que o fim ou o início de um relacionamento amoroso não se torne motivo para isolamento e solidão. O amor deve ser um sentimento a iluminar a vida humana, promovendo aproximações e fortalecendo as amizades; não uma razão para sofrimentos, angústias e ressentimentos.

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