Daydream

Luiz Maia

A música tem o dom de nos despertar sensações e sentimentos. Há pouco, retornei em lembranças aos meus 22 anos, quando residia em São Paulo, ao som de uma música que tão profundamente toca o meu ser. Trata-se de Daydream, interpretada pelo conjunto Wallace Collection. Não sei explicar, mas a melodia dessa canção mexe com algo dentro de mim, aflora emoções e recordações felizes de um tempo de descobertas e experiências inesquecíveis. Desnuda sentimentos, remexe, uma por uma, as gavetas de minha memória. Música são braços que nos acolhem, refúgios que  nos dão guarida, frutos que nos alimentam, olhares que expressam, de alguma forma, uma época em que fomos felizes.

Ao ouvi-la, sinto uma inexplicável nostalgia. Dá-me vontade de chorar, de ver gente, de abraçar aqueles que um dia me foram próximos. Recordo um tempo em que tudo era sonho, esperança, em que a beleza nos impelia a construir um futuro tendo sempre ao fundo o som dessa melodia. A poesia consegue me fazer menino outra vez. Andei pelo mundo sem imaginar que tudo seria registrado: as dificuldades de uma época, os descobrimentos afetivos, os namoros às escondidas, momentos felizes que se perderam na mansidão do éter. Certa vez uma amiga me falou que uma leitura a fizera descobrir, fascinada, como o tempo é incompetente em envelhecer almas genuinamente jovens. Minha amiga está correta, embora hoje eu ainda me surpreenda com a velhice dos outros, e fico a imaginar o porquê de eu não notar o tempo passar!


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Conversa de fim-de-semana

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