Distorções

Luiz Maia

Não existem povo e pátria fortes sem auto-estima em relação ao seu potencial como Nação. Ouço muito falar que educação é fundamental para a grandeza de um povo, mas tudo não passa de mera retórica. A realidade é que em nosso País faltam educação de boa qualidade, salários decentes e condições de trabalho para os professores, rede pública informatizada e equipada com bibliotecas que ofereçam livros didáticos atualizados aos alunos. Atualmente não existem estímulos para o profissional de ensino exercer condignamente o seu papel de educador na sociedade. Daí o resultado de termos uma população deseducada, alienada e ignorante. O desprezo com a limpeza de ruas e avenidas de nossas cidades é um bom exemplo disso. O Japão mostrou ao mundo sua grandeza. Depois de quase destruído na II Guerra Mundial, eis que ele ressurge e resolve investir na educação como principal prioridade para seu povo. Hoje deixou de ser um País apenas agrícola para se tornar uma potência mundial. O Brasil poderia fazer algo idêntico sem sofrer os traumas de guerras.

 

Vejo com bons olhos o interesse do atual Governo em criar um piso salarial nacional para os professores brasileiros. Para uma categoria, que desde os anos sessenta foi relegada a um plano secundário, esse fato é um avanço e um alento para que ocorram mudanças mais significativas. Creio que seja um bom começo resgatar o respeito por uma categoria que é a mais importante dentro do contexto sócio-econômico de um País que se preza. O professor é o responsável direto pela formação das pessoas. E, sem querer desmerecer ninguém, essa classe deveria receber um tratamento diferenciado. Como se isso não bastasse assistimos a uma perversa inversão de valores tomando conta do País. Se olharmos à volta veremos pessoas percebendo salários milionários só para chutar uma bola, desfilar sua magreza nas passarelas, posar nua para as revistas ou dizer palavrões nas tardes-noites dos domingos - tudo isso com a complacência da grande maioria de brasileiros que ainda não parou para refletir. Essas distorções geram descrédito nas instituições e desestímulo em gerações inteiras.

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