Diversidade de sentimentos

Luiz Maia

Tenho minhas dúvidas se as pessoas sabem decifrar os sentimentos que se apoderam da gente. Refiro-me às questões afetivas e amorosas. Você nunca sofreu por amor? Paixão e amor são a mesma coisa? Desejar, ficar apaixonado por alguém seria uma forma de amor? Eu reconheço que não sei dizer. Quantas vezes me vi apaixonado sem saber decifrar esse mistério. Na minha infância eu era apenas uma criança despertando para a sexualidade. Mais velho, já rapaz e ainda assim inexperiente, cansei de ouvir que eu deveria aprender a separar paixão de amor para não me machucar adiante. Eu ficava sem entender direito aquela conversa acadêmica. Quantas vezes escutei conselhos... Disseram-me que amor, desejo e paixão são sentimentos distintos. Que desejo carece de imediata resposta, a pronta realização. É puro instinto. Outro me assegurou que o amor é um sentimento nobre, no entanto nem mais nem menos importante que o desejo e a paixão. Já passei por tudo isso, e continuo sem entender corretamente as coisas.

Certamente ninguém deveria ter preocupações com coisas que só a natureza tem o dom de nos ensinar. O resto não passa de normas de condutas adotadas pelos homens, sem nenhum valor científico. Sei apenas que aos doze anos eu já me comprazia ao ver casais de namorados trocando carícias nos portões, indiferentes à minha presença. Como era prazeroso o fato de imaginar que podia ser eu no lugar de um algum rapaz que, cheio de dedos, ensaiava algumas intimidades mais ousadas com sua namorada. Eu sonhava com o dia de poder deixar minha mão escorrer por baixo daquelas anáguas, tentando alcançar por entre suas coxas as delícias desta vida. E como eu fantasiava me imaginando ali e torcia para crescer rapidamente...

Aos treze anos arrisquei escrever minha primeira poesia, uma bobagem assim: "Te amarei para sempre / Te desejo loucamente / Nas tardes de sol agarro-me aos teus cabelos / Mergulho em teu mar e beijo teu rosto mansamente / Teus olhos são o meu descanso / Amo teus seios róseos, tua pele braca cor de açúcar, tuas coxas e o teu copo nu." Fiz pensando na minha vizinha, uma menina bonita cujo seios começavam a despontar. Sentado na areia da praia eu a olhava tomando seu banho de sol. E adorava apreciar seu andar macio, displicente, indo em direção ao mar. Eu a achava linda sacudindo o cabelo, girando a cabeça contemplando o nada. Sem olhar para mim, pegava suas sandálias e saia de mansinho, deixando-me com a doce ilusão de que um dia ela poderia ser a minha namorada. Quando criança eu pensava que o amor era coisa que apenas os adultos entendiam e ficava querendo crescer para usufruir suas delícias. Mas hoje sei que amar requer um permanente e exaustivo aprendizado. É um processo sem fim...

  ooo

Conversa de fim-de-semana Página Principal