Essência humana

Luiz Maia

Amizade é algo bom e que deve ser preservado. Recentemente, a minha turma de amigos da adolescência passou a se reunir após mais de trinta anos sem contato. Penso que é um privilégio juntar tantos amigos num restaurante a lembrar um tempo que passou, mas que deixou saudade. As lembranças tomam a maior parte de nossas conversas. Cabeças brancas, barrigas protuberantes e histórias de vida distintas são a tônica desses eventos. Mas foi num desses encontros que ouvi um companheiro reclamar da idade. Em meio àquela alegria ele lamentava, principalmente, a proximidade da morte. Ele queria mesmo era voltar no tempo, algo impossível de acontecer. Meu amigo precisa saber que quando as pessoas exprimem medo de falar desse assunto, ou quando simplesmente se omitem, não estão sendo nada originais.

 

Mas aí que eu perguntei ao amigo se não estaria pois a morte contida de forma sutil no nosso dia-a-dia, no emprego que se foi, no amigo que sumiu ou nos parentes que se afastaram sem sequer dizerem adeus? Lembrei também que pode se configurar no amor que se foi ou no final de um relacionamento qualquer. Convive-se com ela diariamente sem que se dê conta disso. Morrer e viver são partes da mesma moeda. Quero deixar bem claro que eu prefiro falar de vida. A vida costuma se apresentar, na maior parte das vezes, repleta de inimagináveis surpresas. Sejamos otimistas em relação à vida. Enfim, viver é um milagre e se deve agradecer por isso. A maturidade, ao invés de causar medo às pessoas, precisa ser entendida como um estágio da vida que possibilita ao individuo usufruir cada momento do que lhe resta, com a serenidade necessária, decorrente das vivências e experiências acumuladas ao longo de sua trajetória.

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