Gestos...

Luiz Maia

As pessoas andam mesmo sem esperança, parecem não acreditar mais em nada. Hoje, porém, quero falar de coisas bonitas. Dizer que creio nos gestos que têm a força de inibir a descrença nas virtudes, que eliminam o egoísmo que se intensifica entre os homens e impedem que a força do mal prospere. Em vez de elevar o que é ruim prefiro registrar o exemplo dado por um homem modesto, um simplório gari de nome Sebastião, um brasileiro honesto de Minas Gerais que devolveu ao verdadeiro dono doze mil reais que achou no lixo, demonstrando com seu gesto que nem tudo está perdido. Esse cidadão me fez ir às lágrimas ao assistir ao programa de TV em que foi divulgada a sua história. O dinheiro que Tião achou e devolveu ao dono equivale a dois anos e meio de seu salário, fruto de muito trabalho duro.


Ouvir essa notícia trouxe-me à mente a necessidade de se enaltecer quem é honesto. É preciso parar de imaginar que todo mundo rouba e que isso nunca terá fim. É preferível buscar uma saída, abandonar a crença negativa de que se vive em um país de ladrões e abraçar o princípio de que a honestidade deva ser a regra e não a exceção. Acreditar nos homens, no entendimento entre as pessoas, nos gestos solidários, na palavra empenhada, na honradez da maioria silenciosa que, a despeito de tudo, prevalece entre nós. Vale a pena apostar na palavra que faz sossegar o coração dos aflitos, na conversa amena seguida de um demorado abraço, nos gestos repletos de compaixão. Gestos que traduzem um sentimento universal de satisfação em nós quando fazemos algo de bom e positivo aos outros, assim como o de tristeza quando cometemos alguma injustiça com o próximo.




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Conversa de fim-de-semana

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