Gravidez planejada

Luiz Maia

A notícia mais importante dessa semana foi sem dúvida o Governo Federal mostrar-se preocupado com a gravidez precoce, a gravidez indesejada de mulheres carentes. A sociedade brasileira vem aplaudir o Projeto do Governo contra a gravidez não planejada, oferecendo assim o devido apoio às mulheres que desejam interrompê-la. Agora Lula precisa resistir à pressão da Igreja e de setores reacionários que se locupletam da miséria alheia em proveito próprio. Todos deveriam unir-se a esse Projeto, ignorando a hipocrisia que teima em prosperar. Assim este Governo dará um passo importante no combate à miséria, evitando que venham ao mundo mais menores abandonados, cujas mães não têm a menor condição de criá-los corretamente, além de ampliar o acesso a métodos anticonceptivos e à informação sobre a reprodução humana.


A sociedade não agüenta mais conviver com a terrível realidade de mais de um milhão de abortos clandestinos por ano, geralmente praticados por jovens adolescentes que se tornam mães precocemente, tendo de sacrificar seus estudos, carreiras e vidas. Ser radicalmente contra a legalização desse método anticoncepitivo, dizendo-se ser "favorável à vida", como alega a Igreja, é de uma incoerência sem tamanho, é fechar os olhos a milhares de jovens de morrem nas "clínicas" de aborto espalhadas por este País, vítimas na verdade da omissão e da negligência do Estado. Sabe-se que a mulher que dispõe de dinheiro pratica o aborto livremente, nas melhores clínicas do País, cercada de toda a segurança possível. Por que não estender esse benefício às mulheres carentes brasileiras? Ou será que seremos obrigados a conviver eternamente com essa discriminação, com essa desconfortável situação de dois pesos e duas medidas? Parabéns ao Governo pela saudável medida.

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