Grito de alerta

Luiz Maia

Hoje em dia ando com medo de sair de casa. Com outras pessoas não deve ser diferente. Vândalos, supostos trabalhadores, de uniformes vermelhos, foice e cacete na mão, impedem o tráfego. Não satisfeitos, resolvem quebrar os veículos de pacatos cidadãos. Irresponsáveis comprometem a rotina dos que querem trabalhar, invadem terras produtivas, saqueiam cargas ou impedem, de forma criminosa, o ir e vir das pessoas. Imbecis de todo tipo fazem protestos queimando pneus em via pública, outros usam carros equipados com o som nas alturas. Idiotas depredam ônibus, flanelinhas exploram motoristas, menores cometem delitos, mocinhas perdem-se no sexo e nas drogas; criminosos riem das autoridades, infratores comercializam produtos piratas tomando as calçadas dos pedestres.Todo absurdo é permitido em nome de uma suposta democracia.


Transformaram o país em terra de ninguém. Um bando de parasitas se alimenta do Estado, recebe verbas do governo para praticar crimes e infernizar a vida de todos. Há mais de uma década o Brasil presencia o surgimento de uma “geração de bárbaros”, caracterizada pela degradação dos princípios, a não valorização do trabalho honesto e apologia à desordem. Na política, nas artes, cultura e entretenimento, o mau gosto predomina de forma avassaladora. Existe uma exaltação do que não presta, um culto à mediocridade, difícil de ser aceito por quem tem bom senso. Cidadania é palavra desconhecida por grande parte dos brasileiros, carentes de um sistema educacional de qualidade, que deveria ser a prioridade básica dos governantes.


Em um país que não tem planejamento, nem dispõe de políticas públicas de acesso às práticas esportivas, a consequência imediata é o surgimento das graves mazelas sociais. O Estado brasileiro, que deveria mostrar-se preocupado com a gravidez de mulheres carentes, é inteiramente omisso. Ampliar o acesso à informação sobre formas de se evitar a gravidez indesejada seria um passo importante no combate à miséria, evitando que viessem ao mundo menores cujas mães não têm a menor condição de criá-los. Mas o principal problema do Brasil reside na eterna falta de educação. Parte do dinheiro arrecadado em impostos pelo governo escorre pelo ralo da corrupção. Não fora isso e a população mais carente se beneficiaria do ensino de qualidade. Hoje, alunos ameaçam professores, usam drogas, agem com violência, depredam as escolas do bairro. A falta de preparo dos professores, assim como os baixos salários, são ingredientes que fortalecem o ensino deficiente que envergonha o país. A desigualdade social reflete no comportamento das pessoas mais humildes da população. Elas vivem excluídas do ensino público, padecem sem segurança e morrem nos hospitais sem atendimento. Até quando?


Existem dois brasis: o oficial, aquele em que autoridades surfam nas ondas de um falso desenvolvimento e um outro país, o real, no qual vive um povo que, aos poucos, segue transformando as cidades em imensas favelas. Tem muita gente deseducada rebaixando o país à condição de pocilga. A ignorância avança em todas as classes sociais. A falta de respeito impera em todos os lugares. Os valores foram definitivamente esquecidos por muitas pessoas que não consideram ninguém. Eu gostaria de viver num país em que a população pudesse se orgulhar da terra em que nasceu. Voltar no tempo para imaginar um Brasil em que as pessoas se sentissem seguras, onde o trabalho fosse a fonte honesta de sua honradez. Uma nação onde ninguém tivesse medo de andar nas ruas e homens e mulheres fossem respeitadas em sua cidadania. Quisera poder ver a sinceridade de sentimentos expressa nos olhos dos brasileiros, distante das mentiras do passado que não traduzem a índole do nosso povo. Um país em que solidariedade e honestidade façam parte do nosso cotidiano, tornando a vida do Brasil e do povo muito melhores.





 

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Conversa de fim-de-semana

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