Imaginando você...

Luiz Maia

Ainda adolescente eu conheci um grande amor, algo bonito, incomum, mas de difícil compreensão. De repente uma garota despertou-me especial desejo. Impossível ficar indiferente àquele seu ar inocente, ao se aproximar de mim. Mas o tempo passou, fiz daquele amor o meu segredo, guardando-o só para mim. Eu conhecia seus gostos, os caminhos e o prazer que sentia ao me olhar de mansinho. Mais nova que eu, só em vê-la meus olhos pediam o seu corpo mais perto. Eu não sabia o que fazer para afastar os impulsos, impedir o sonho de querer beijá-la. Eu quis sublimar este desejo,  quem sabe escrever uma poesia me demovendo deste sentimento. Certa vez, ao correr tentando se proteger da chuva, sem querer ela colou seu corpo em mim. Vendo seu rosto bem junto ao meu, quase a beijei ali. Em que pese o proibido, seus dotes físicos uma vez o destino quase me revelou. Não demorou muito para que eu a desejasse em sonhos, vendo-a tomando banho, feliz da vida, talvez por um instante pensando em mim. Ao imaginá-la daquele jeito, completamente nua, despida de toda maldade, só então compreendi que a menina se fizera mulher completa: ancas acentuadas, seios firmes, nádegas perfeitas, atributos que me fizeram sentir um estranho desejo.

Nesse meu delírio, não me contive vendo-a esfregar o sabonete por seu corpo, massageando suavemente o sexo, debaixo da sensual penugem que se insinuava aos meus sentidos. Daí em diante sonhava quase que diariamente com ela dormindo ao meu lado, seminua, só de calcinha, enquanto que eu sofria envolto num mistério de desejar a quem não devia. As lágrimas que rolam em meu rosto traduzem a angústia de um amor impossível. Mas trago comigo a alegria por saber que ele viverá sempre ao alcance da imaginação. Hoje, minhas mãos continuam a procurá-la, e quando a encontram, é uma alegria total: alisam seu rosto, percorrem seu corpo, desejam seu sexo. Meu corpo se aproxima do seu, vai se chegando à procura de seus contornos, inebriado por seu característico cheiro, para em seguida impregnar-se deles.


Eu queria vê-la sempre por perto, pois somente assim me sentiria realmente humano, repartindo a vida ao lado seu. Mas por que esse tipo de amor, que insiste em fazer morada nos corações dos amantes, só existe em dramas, poemas e sonhos? E se realmente existe, por que nunca podemos vivê-lo ao lado de alguém que acreditamos amar, desejar? Talvez porque o amor de há muito sobrevive porquanto superior à paixão. Quanto à paixão, esta sim, tem efeitos desastrosos se não for bem conduzida. Mas quem disse que foi dado a alguém o poder de administrá-la? Então não seria paixão e sim amizade ou mesmo, quem sabe, indícios de um mero caso de amor.



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Conversa de fim-de-semana

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