No escuro de meu quarto

Luiz Maia

Vejo com alegria pessoas procurando cooperar para atenuar a agressão contra nossa casa, a mãe Terra. Anos atrás foi criada "A Hora do Planeta", o dia de consciência no qual governos, empresas e a população em geral são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas, apagando as luzes por sessenta minutos. Esse ato simbólico tem o significado de convidar as pessoas a refletirem sobre o tema ambiental. É um tipo de campanha que serve muito mais para alertar e conscientizar acerca do mal que o homem vem fazendo ao planeta no curso da história, que mesmo trazer algum resultado prático que venha a solucionar tamanho problema. Mas é de todo válido. Tenho a dizer que, particularmente, apagar as luzes com o intuito de economizar energia é o que faço todos os dias. Neste aspecto ando em paz comigo mesmo.

 

Por outro lado, confesso que não gostaria de ser uma autoridade neste país. Cause-me angústia saber dos inúmeros desmatamentos, sem que nada de prático seja feito para pôr um fim nesse desmando. Como suportar ficar calado quando sabemos que oito (8) hectares de florestas virgens são derrubados por segundo, de forma criminosa, sem que vejamos a reação ou a demonstração de indignação por parte daqueles que supúnhamos ser as autoridades competentes? Sem esquecer dos milhares de animais silvestres que são capturados nas matas e transportados de maneira cruel pelo tráfico internacional, levados para outros países ou até mesmo comercializados no mercado interno. Há, infelizmente, compradores domésticos que alimentam esse crime ambiental. E o que fazem nossas autoridades que não põem um fim nessa selvageria? O que mais falta acontecer para uma tomada de atitude?

 

Fiz questão de relacionar esses dois fatos que envergonham qualquer ser humano com um mínimo de sensibilidade e que tudo fazem para denunciar as ações que põem em risco a vida na Terra. As autoridades, que são muito bem pagas por cada um de nós para cuidar dos destinos do país, deveriam ser mais rigorosas e botar na cadeia os responsáveis por essa afronta ao próprio equilíbrio do planeta. Se assim o fizessem, além de darem um bom exemplo, contentariam o anseio popular que cobra ações mais enérgicas, e não essa indiferença que perdura anos a fio. Poder-se-á dizer então que são, por via da omissão, igualmente cúmplices e responsáveis. Nós, simples sonhadores comuns, continuaremos apagando nossas lâmpadas de poucos watts, enquanto que eles certamente continuarão ligadíssimos, tomando seus uísques e comendo as boas iguarias, sempre nas "caladas da noite".



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Conversa de fim-de-semana

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