Os rios da minha infância

Luiz Maia

Na minha infância e juventude eu morava em uma casa com um belo quintal. O casarão que ficava em frente era enorme, uma área de Mata Atlântica com cerca de 6 hectares. Aquele espaço contemplava fruteiras e alguns animais. Mangueiras, cajueiros, ingazeiros, pitombeiras, jaqueiras, sapotiseiros, caramboleiras estavam sempre à nossa disposição. Também havia bicho para todos os lados: saguis, macacos-prego, cigarras, tanajuras, sapos, gias, cobras, grilos, rãs, tatus, passarinhos e outras espécies alegravam aqueles dias de plena convivência em harmonia com a natureza. Aquela riqueza toda em nossas mãos e a gente nem ligava. Ou melhor, não dávamos o valor que damos hoje. Muito natural que assim fosse. Afinal, não imaginávamos morar um dia em apartamento.

 

Os rios, em que eu e os amigos nos banhávamos na saudável infância, praticamente não existem mais. Naquela época a água que escorria dos rios era transparente e o fundo, com areia branca, só fazia nos encantar. Hoje, infelizmente, o que vemos é um filetinho d’água escorrendo por baixo de uma extensa camada de poluição. Tamanha beleza só existe em nossa memória. A curto e médio prazos a agressão aos mananciais d’água só tende a piorar. Garrafas plásticas, animais mortos, colchões e sofás velhos tomam conta daquilo onde antes corria o leito de um rio limpo e transparente. O problema com o esgotamento sanitário é comum nas grandes cidades do país. Aos poucos o fatídico progresso elimina a perspectiva de um mundo melhor, de uma vida mais saudável em comunhão com a natureza. É importante preservar os mananciais cuja riqueza é difícil de mensurar.

 

O cuidado com o meio ambiente deveria ser preocupação de toda a sociedade. É essencial promover e incentivar programas para desenvolver a consciência ecológica, algo que deve se iniciar em casa, com a adequada instrução de crianças e jovens. As instituições e os agentes responsáveis precisam com urgência transformar cada pessoa num agente multiplicador visando à preservação ambiental. Penso que um canal eficaz é por intermédio dos líderes religiosos, leigos e ordenados, de todas as denominações. Eu gostaria de ver um dia pastores, padres, espíritas, budistas, hinduístas abraçados à nobre causa de defender um mundo mais verde e mais respirável. É preciso associar definitivamente Deus à natureza. Foi Deus quem criou o mundo e, portanto, nos presenteou com árvores, oceanos, matas e rios. Talvez a solução esteja mesmo na ação efetiva dos gestores responsáveis pela condução do país. É necessário contar com a compreensão de todos para ajudar a difundir um assunto que está na pauta das grandes preocupações a serem discutidas e resolvidas para o bem do planeta. Quem cuida do meio ambiente,  quem usa corretamente os espaços públicos, merece o aplauso daqueles que vivem em sociedade.




 

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Conversa de fim-de-semana

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