Por entre os canteiros

Luiz Maia

O que aconteceria se de repente eu calasse minha voz, se eu deixasse de expressar meus sentimentos, se me esquecesse de enaltecer as mulheres e a beleza que há nos fenômenos da natureza? Embora eu sinta prazer de traduzir em palavras o meu amor à vida, há momentos em que eu esqueço tudo e me entrego ao silêncio sem querer falar.

Às vezes esqueço os discursos de paz que proferi, o medo que eu tive da falta de abraços, o descaso com a ecologia e a ausência no mundo de amores perfeitos. Nem sei como eu pude esquecer-me das vezes em que falei do meu amor à natureza, da falta de compreensão humana em relação à necessidade que temos de amar.

O que seria de mim se eu não mais elogiasse o belo, a vida, os amores; não mais me lembrasse daquela amizade distante. Se eu me esquecesse de tudo talvez não compreendesse a dor daqueles que sofrem abraçados às paixões frustrantes, mas que reúnem forças para subir aos palcos e cantar o amor à vida.

Não sei mais caminhar por entre os canteiros, apreciar as flores, cantar nossa música preferida sem tê-la comigo ao meu lado. Não quero esquecer esse amor que se fez mais forte que o próprio desejo que há em mim. Como posso me esquecer de seus gestos inaudíveis, de sua agonia contida em se fazer entender, dessa minha loucura serena ao me lembrar de você?




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Conversa de fim-de-semana

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