Por um Recife melhor

Luiz Maia

Nasci no Recife e aprendi a amar esta cidade. Na condição de cidadão eu me sinto no direito de sugerir, criticar e cobrar das autoridades ações para que seja dado o devido valor à nossa metrópole. Lamento o abandono em que ela se encontra. Tentar caminhar pela Av. Guararapes, ruas Nova e Imperatriz é deparar-se com o espectro daquilo que fora o coração do Recife. Por que não preservar sua memória, transformando aquele espaço num majestoso centro cultural funcionando 24 horas? Tamanho descaso implica crime contra nossa história. Principalmente se imaginarmos a decadência de uma capital que já foi considerada a terceira do País.  Se resolvermos seguir em direção aos bairros mais distantes, o desencanto é bem maior. Ninguém pode negar a importância deles para as pessoas que lá residem, pois pagam seus impostos para terem os serviços básicos realizados, do mesmo modo como ocorre nos denominados nobres, os mais privilegiados de beleza e/ou poder econômico de seus moradores.



Nos bairros de periferia, os mais humildes, evidencia-se o descaso com ruas e avenidas geralmente sujas, o lixo se acumulando e as calçadas causam pena pela degradação. Gostaríamos de ver a Prefeitura protegendo seus habitantes em relação às agressões que são cometidas diuturnamente contra o meio ambiente por aqueles que sujam os espaços públicos ao afixar outdoors, direcionadores de pedestres, placas alusivas à venda de imóveis e luminosos por toda a parte, imagens de um Recife apodrecido por propagandas nos postes, calçadas, árvores e muros. A imundície prolifera sem que haja controle visando reverter esta vergonha. Parece uma cidade destruída, semelhante às de países em guerra. O recifense lamenta profundamente a degradação de suas áreas públicas. Não compactuemos com isso. Habituemo-nos a não aceitar essa cidade sendo maltratada dessa forma.


Nossa cidade é fascinante, reúne em seu espaço geográfico rios, pontes e um conjunto arquitetônico que remonta há quatro séculos. O Recife é lindo e poderia ser bem mais não fossem a sujeira exposta, a falta de verde nas ruas e o desprezo com o pouco que ainda resta. Pior é que ninguém vê uma só autoridade preocupada em priorizar o meio ambiente, muito menos em melhorar o aspecto de devastação e abandono que faz de nossa metrópole um lugar comum sem nenhum atrativo para seus habitantes. Creio que um saudável passeio por ruas, parques ou pelo rio Capibaribe só seria possível a partir do momento em que os governantes estabelecessem critérios responsáveis pela gestão pública. Sugiro aos nossos gestores a criação de um nicho de excelência  compromissado em tornar o Recife mais compatível com suas tradições. Nasci no Recife e aprendi a amar essa cidade.


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Conversa de fim-de-semana

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