Preferências

Luiz Maia


Gosto de caminhar sem tempo determinado, nem dispor de hora marcada para ir, muito menos para voltar. Imagino que o relógio só serve para tornar burocrática a vida. Mas às vezes eu necessito me sentir seguro e escolho ficar em casa. Gosto dos encontros quando ocorrem de forma natural, sempre espontâneos. Hoje em dia eu quero ouvir o silêncio da noite, ler um livro que me inspire alguma coisa boa e me esclareça sobre algo que ainda desconheço. Imagino que eu ainda tenho a chance de poder aprender a arte de pintar, admirar os jardins da cidade e escutar música clássica, já que a atual me parece dissonante e de extremo mau gosto. Minhas preferências são por coisas  pequenas, simples acima de tudo, mas que dão sentido à vida. Do passado eu quero mais é recordar o tempo em que os palhaços eram a fonte límpida de minha mais pura alegria. Os de agora não me fazem rir.


Nos dias que correm eu gosto mesmo é de sair pelas manhãs a ter que enfrentar compromissos à noite. Reconheço que gosto do aconchego que o cair da tarde me propicia, principalmente estando no repouso do lar. Sobre as crônicas que escrevo, sinto uma discreta insatisfação ao perceber que eu poderia ser mais útil se falasse menos de mim. Apesar do gênero ser deveras pessoal, nem sempre acertei ao expressar aquilo que imaginei ser o melhor caminho. Reconheço que a palavra escrita, às vezes inconsciente, nem sempre traduz uma realidade poética. Quisera poder dizer uma só palavra e me fazer entender completamente. Saber traduzir sentimentos que são comuns a todos, mas que nem sempre sabemos como os dizer. As palavras têm o poder de se tornar enganadoras, apesar dos aparentes gestos de carinho expressos nas cartas de amor. Prefiro não ter certezas sobre nada, sobre coisa alguma. Somente as dúvidas possibilitam o descortinar de novos caminhos.




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Conversa de fim-de-semana

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