Preste atenção

Luiz Maia

Conversando com uma amiga sobre os últimos acontecimentos do País, ela demonstrou preocupação com o estado de insegurança que atinge a sociedade e desabafou comigo. Disse-me estar cansada de tudo e que dificilmente assistimos a um ato de justiça no país. Foi mais além ao afirmar que o povo paga uma conta alta demais para poder sobreviver, sem ter a contrapartida do Estado. Do Governo nem é bom falar e os políticos são quase todos fisiologistas. Demonstrou sua insatisfação ao dizer que a maioria dos brasileiros tem boa índole, mas que somos um povo dócil e servil, afeito ao comodismo. Se tivéssemos mais garra, como outros povos, há muito já teríamos mudado o destino do País. E concluiu dizendo-me que dá pena ver um povo mergulhado nas drogas, no futebol, assistindo a BBBs e novelas e metidos na corrupção.

 

Vejo-me obrigado a concordar com a amiga em seu pertinente desabafo. É uma lástima realmente. Diante dessas evidências poucos crêem que este país venha um dia a mudar pela ação dos políticos. Somente por meio da população unida e organizada há alguma esperança de mudança. Mas é preciso atenção para não sair do sério com este estado de coisas que contagia qualquer um. Foi aí que resovi dizer-lhe alguma coisa. Eu gostaria de ver a amiga pensando diferente. Não a ver angustiada com gente que não merece um aceno seu. Vamos nos indignar, sempre! Mas sem perder o equilíbrio para não adoecer. Quero vê-la saudável, sem estresse ou dores de cabeça para poder em breve rir de um tempo que passou sem que tivesse deixado saudade. Tudo passa. Nada é para sempre. Deveríamos lembrar apenas das coisas boas, dos instantes agradáveis que juntos passamos imaginando chegar um momento feliz. Afinal, precisamos de muita saúde para gozarmos as delícias desta vida. Espero ter convencido minha amiga a tirar por menos certos assuntos sobre os quais não temos controle.

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