Quando a jovem fala...

Luiz Maia

Certa tarde, ao escutar um programa de uma rádio local, cheguei a me comover com o depoimento de uma jovem estudante de um colégio público dizendo ser vítima da falência do ensino público no País. O tom de sua voz era de puro desencanto ao falar da omissão do Estado, dos irrelevantes salários percebidos por professores, da péssima qualidade das instalações físicas dos educandários, além da reconhecida indisciplina que existe nos alunos e professores, dentro e fora das salas de aula. No seu entender, tanto os alunos quanto os professores se sentem desmotivados para enfrentar a rotina da sala de aula, além de não aparentarem nenhum compromisso com a prática do aprender e do ensinar. Há uma visível cumplicidade entre as partes.


Louvo a atitude da valorosa estudante ao expôr seu ponto de vista, principalmente por denunciar o fato de muitos não se importarem com a falta de empenho nas tarefas desenvolvidas no transcorrer de cada ano letivo, por parte daqueles que deveriam ser mais cientes de suas responsabilidades. Sobre o Enem a estudante fez sérias restrições devido à falta de aprendizagem básica. Creio que ela tem toda razão pois no meu entendimento o Enem serve apenas como instrumento de aferição de um panorama do ensino no País, embora não condizente para selecionar alunos. Neste caso eu me permito fazer a seguinte comparação: como você classificaria o aluno que viesse a se submeter a um teste de direção no trânsito, sem nunca ter aprendido a dirigir na vida? Imagino que o resultado não poderia ser pior. Talvez essa figura possa explicar melhor.


A respeito das chamadas "cotas raciais" implantadas nas universidades eu entendo que servem apenas para legitimar o péssimo ensino público, além de contemplar a incompetência do mau aluno, conforme nos assegura  aquela estudante. Eu gostaria de acrescentar que essas "cotas raciais" servem apenas para despertar a consciência de que hoje o País dispõe de fato de um sistema universitário à beira da falência, correndo sérios riscos de perder definitivamente a credibilidade de que ainda dispõe. Todos nós gostaríamos de dizer o contrário, mas como negar o que nos parece o óbvio?


Lamento que a falta de planejamento no Brasil tenha causado inúmeros prejuízos, por seguidos anos. Não se vê o governo preocupado com ações concretas a médio e longo prazos. Assistimos à incompetência crescente que só vem colaborar para que ocorram projetos equivocados de inclusão social, contribuindo assim para que fatos dessa natureza surjam do nada. Resta-nos aguardar que a voz da estudante seja algum dia realmente considerada, e o País volte o mais breve possível suas atenções para a necessidade de se implantar uma educação de qualidade para todos os cidadãos, independente de serem negros ou brancos, ricos ou pobres.


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Conversa de fim-de-semana

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