Quando vem o pôr do sol...

Luiz Maia

Sou um entusiasta pela vida. Deixo-me levar pelas belezas existentes no planeta, feito menino bobo meio disperso a percorrer caminhos. Nem me lembro dos tantos momentos em que me vi fascinado pelos fenômenos da natureza, do amanhecer ao entardecer. Como o ciclo do dia, que ao iniciar não tarda para findar, assim ocorre também com os seres humanos. Não podemos nos enganar quanto a querer retardar nossa passagem aqui na Terra. Ao ver um pôr do sol, começo a refletir na noite que chega trazendo consigo o silêncio revelador do quanto que sou apegado à vida. Tenho a sensação de que partimos a cada instante. Sutil e suavemente vamos deixando tudo para trás. Não basta somente amar a vida, mas compreender que o Universo está em permanente mutação; sobretudo que a espécie humana envelhece e que novas gerações haverão de surgir.


Olha que já andei mundo afora, refiz caminhos, diminuí as passadas quando foi preciso parar. Amei a vida em doses homeopáticas, realizei alguns planos, sonhei com o melhor para o gênero humano, mas confesso que nem sempre fui feliz. Já fui idealista, sofri desenganos, sobrevivi às intempéries quando muitos nem acreditavam em mim. Hoje, aqui no meu canto calado, sinto-me como se fosse a madrugada que se despede de nós sem ser notada. Reflexivos, assim caminhamos a contemplar mais pores do sol. Neste momento, envolvido que estou nesta introspecção, mais que ninguém eu gostaria de receber mais abraços, de contemplar mais olhares, de recontar estrelas e investir em novos sonhos, ignorando assim a despedida que para mim se oferece sorrindo.




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Conversa de fim-de-semana

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