Sem asas para voar

Luiz Maia

Caminhar trôpego, olhar distante, voz e mãos trêmulas. Sinais da velhice, um amanhã que chega silenciosamente sem que nos apercebamos. A vida vai se despedindo daqueles que um dia nos pegaram no colo, educaram, alimentaram. É o momento em que vemos nossos pais voltando a ser crianças, dependendo do amparo e da ajuda dos filhos para as mais básicas atividades do cotidiano.



Como eu sinto saudade dos tempos de minha infância! Época feliz em que a família se reunia à mesa à hora das refeições. Meu pai à cabeceira, meus irmãos lado a lado, minha mãe servindo a todos, com carinho, doçura e um sorriso sempre presente na face. Ainda criança, não tinha consciência do quanto de sacrifício representa a árdua tarefa de ser pai, de ser mãe. Eles se desdobraram para dar o melhor aos sete filhos: boas escolas, alimentação de qualidade, disciplina, princípios, limites e, principalmente, muito amor.



Hoje só me resta aceitar que é imperativo trocarmos os papéis. Tenho que segurar as mãos e ajudar a quem tanto fez por mim. Quando a velhice chega e o cansaço bate à porta, os pais perdem a autonomia de cuidarem de si mesmos. Tirá-los da cama, dar-lhes um simples banho, mudar-lhes as roupas e, se possível, servir-lhes a comida, serão tarefas básicas de uma nova rotina para os filhos. Temos que compreender como age o fluxo natural da vida. Saber que o tempo passa e com ele se vão a vitalidade e a saúde.



Dói vê-los assim. Outrora eram nossa fortaleza. Agora são frágeis e indefesos. Restam-lhes apenas as lembranças dos momentos felizes de sua juventude e maturidade. Recordam-se do almoço aos domingos, das brincadeiras infantis, das aventuras adolescentes, dos primeiros netos. E nesse exato momento alguns deles gostariam de ter asas para voar...



 

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Conversa de fim-de-semana

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