Ser diferente

Luiz Maia

Aparentemente não satisfeitas com suas vidas, é comum hoje em dia ver pessoas querendo sair do anonimato. Qualquer indivíduo com um mínimo de percepção nota que tem muita gente fazendo de tudo para aparecer. Algumas até gostariam de ser notícia durante vinte e quatro horas, enquanto outras tantas buscam na mediocridade qualquer coisa para ter seus minutos de fama. Em nenhum momento estão preocupadas em expor suas intimidades nas revistas de circulação nacional ou mesmo nas telinhas de tevê de certos programas que primam pela inutilidade. Quantas mocinhas inocentes não sofrem as influências negativas quando tentam em vão ser uma celebridade? Reconheço que a mídia tem colaborado para a banalização do culto ao corpo, sendo esse tema inclusive motivo de pesquisa e de estudo entre os sociólogos brasileiros. Apesar de ser um fato inconteste, é certo também que a deseducação da população contribui para fortalecer tais valores.


Para as pessoas públicas a sensação de liberdade não passa de um sonho a ser atingido. Sair às ruas despreocupadamente, ir ao teatro em companhia de amigos, frequentar salas de cinema, shoppings ou caminhar pelo calçadão nas malhações matinais sem ser notado é fundamental para o nosso bem-estar. É aquilo a que chamo de "ser diferente". Dinheiro nenhum paga a tranquilidade de poder ir e vir sem ser molestado por um batalhão de "paparazzis". Ao contrário do que alguns possam imaginar, não existe bem maior no mundo do que passar despercebido pela multidão. É muito bom alguém ser reconhecido por sua simplicidade, pelo trabalho que realiza, pela arte que executa ou por sua postura diante da vida. Mas é imprescindível que seja resguardada sua total e plena privacidade.



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Conversa de fim-de-semana

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