Simbologia

Luiz Maia

Lembro-me de meu primeiro Natal fora do Recife. Senti uma angústia muito grande por não poder estar na presença de pais e irmãos. Eu morava nesse tempo no Rio de Janeiro, na "Cidade Maravilhosa". Naquele Natal de 1976, a melancolia e a saudade invadiram minh'alma. No silêncio de meu quarto, sozinho e sem ninguém com quem conversar, minha tristeza aumentava porque lá fora eu sabia que havia milhares de pessoas comemorando mais um Natal em família. Enquanto imaginava as imagens de casa ao lado de meus familiares, uma saudade imensa tomava conta de mim. Justo à noite, quando eu me sentia mais só, meus pensamentos ganhavam asas em busca do olhar da namorada. Esse tipo de saudade simboliza um raro momento de consciência da finitude das coisas. Só nessas ocasiões é que podemos avaliar melhor a importância da presença das pessoas a quem amamos e queremos bem. Isso é fundamental para que a nossa alegria seja verdadeira e plena.   

A verdade é que nossas vidas estão repletas de símbolos, imagens que marcaram e marcam nossas vidas para sempre. Delas não nos afastaremos jamais. Ontem foi o Natal, hoje podem ser as noites de São João que estarão presentes em nossas memórias. Amanhã, vou lembrar da comida de minha mamãe, da flor guardada que me fez pensar num amor antigo, ou da cartinha da namorada que insinua minha iniciação nos caminhos do amor. Se cultivarmos as boas lembranças da vida, as coisas boas que estão à nossa volta, certamente o nosso mundo se encherá de símbolos e nós, de encantamento. Por isso não nego que haverá sempre uma beleza especial em cada amanhecer. Haverá sempre uma estranha sensação de prazer no meu caminhar, que transcende a mais bela poesia ou ao mais bonito dos versos que já fiz.

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