Solidão, paixão e desejo

Luiz Maia

O final de um romance geralmente nos leva a conhecer o alívio ou a solidão. Foi mais ou menos assim que aconteceu comigo na adolescência. Ao final de um namoro, quando imaginei a solidão bater à porta, eu não encontrava saídas a não ser pensar todos os dias nela. Nessas horas, ingenuamente, eu recorria à lembrança de nossas primeiras intimidades. É verdade que o homem dá muito valor ao relacionamento sexual, ao corpo de uma mulher e suas formas, a ponto de ficarem marcados para sempre na memória. Num dia de sol fomos conhecer uma casa de praia de um amigo. Ela foi logo me pedindo para tomar um banho. Ao vê-la à vontade no banheiro, arrisquei um olhar de lado e, para meu contentamento, pude ver através do blindex seu corpo nu. Era uma mulher e tanto. Foi possível ver as minúsculas gotas d'água molhando seu corpo. Escuto-a fechar a torneira do chuveiro...

 

Distraída e ainda molhada, enrolada na toalha de banho, ela caminha em direção ao quarto. Abre a maçaneta da porta e entra. Fecha a porta e se desfaz da toalha. Ao olhar em direção à janela, ela se assusta comigo: eu estava debruçado apreciando aquele seu banho. Virei-me para ela, igualmente assustado por vê-la daquele jeito. Em que pese o prazer de ver tamanha beleza, confesso que fiquei desconcertado. A primeira reação dela foi pegar a toalha que havia jogado na cama e se cobrir novamente. Uma sensação esquisita, mas gostosa. No entanto, satisfez-me a alma vendo-a banhar-se descontraidamente. Ficamos os dois ali por alguns instantes calados. Nos olhamos meio assustados. Nosso coração batia forte e descompassado.

De repente, tomada por um gesto brusco, como que adivinhando meus pensamentos, ela deixa cair a toalha no chão e fica olhando séria para mim, com a mesma serenidade de quem age com cumplicidade. Sem tirar seus olhos dos meus, ela sorri. É o suficiente para que eu inicie uma longa caminhada em sua direção. A cada passo nossos batimentos cardíacos aumentavam. Ao ficar defronte dela, pude sentir o cheiro de mato verde exalado do seu cabelo molhado. Ainda hipnotizado com o que estava acontecendo, hesitei por um instante. Ela, sem desviar o olhar, sorri levemente e me dá um beijo carinhoso. Tomado por um impulso incontrolável, peguei-a no colo e a deitei nua na cama. Ainda de pé, começo a despir-me sem desviar os olhos dela. Tomado pelo sentimento de gratidão, começamos a nos amar profundamente...

  ooo

Conversa de fim-de-semana Página Principal