Tecendo a vida

Luiz Maia

Existiu uma mulher em Vila do Conde que escrevia poesias para presentear os casais apaixonados - ela fazia de sua arte uma razão de vida. Conheci a história de uma mocinha simples, em Santiago do Chile, que dizia descobrir o futuro das pessoas através das cartas de baralho - mas sua intenção era apenas a de plantar esperança no coração dos homens. Um dia eu vi uma jovem pintando lindas telas em Piranhas, cidade situada às margens do Rio São Francisco - seu interesse era levar a cultura de sua gente aos turistas que atravessavam aquele Rio. Sei de muitas mulheres que tecem rendas e fazem redes em Tracunhaém, outras que plantam mandioca e depois trabalham nas casas de fazer farinha em Brejão. Quase todas exercem atividades de pouca visibilidade, muito mais por diletantismo que visando ganhar algum dinheiro, mas em certos casos muitas suprem com facilidade suas necessidades. O mais louvável é que todas dizem levar uma vida feliz. Elas entenderam que para ter controle de suas vidas seria preciso fazer escolhas. Muitas tiveram a chance de fazê-las, como nos exemplos acima, enquanto outras se perderam no caminho.

Parece tão simples fazer escolhas... Pode ser, mas quando olhamos ao nosso redor e vemos um grande número de pessoas reclamando de suas próprias vidas, como se não tivessem nenhuma chance de escolhas, chego a imaginar que nossa vida não é determinada pelo que nos acontece mas sim pelas opções que fazemos durante a vida em relação aos acontecimentos. Algumas pessoas escolheram percorrer um caminho bem mais difícil do que outras. Não importa se é mais fácil ou complicada sua estrada, o fato é que todos viemos a esse mundo com os apetrechos de que necessitamos para alcançar os nossos objetivos. De repente encontramos nas atividades mais simples o caminho que nos levará à satisfação interior.

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