Tudo passa

Luiz Maia


Os segundos passam e as transformações ocorrem conosco. Nascemos e morremos a  cada dia, tudo passa e nada é definitivo. Já imaginou isso ocorrendo com você? Uma amiga chegou a me confidenciar, entre outras  coisas, que estava partindo para conhecer novas paragens. Andava um tanto sem graça mas sabia que logo retornaria ao seu costumeiro lugar. Antes de partir, segundo fiquei sabendo, decidiu eliminar algumas coisas velhas e inúteis que estavam guardadas dentro dela, reduzindo à metade as cartas de seus ex-amores, lembranças que ocupavam espaços e que poderiam ser aproveitados com fatos novos. Disse-me, por último, que ficara cansada mas que tinha valido a pena seu desprendimento. O certo é que, em dado momento, a pessoa procura reformular algo que a incomoda. Rompe com o passado para conhecer o novo. Isso acontece com muita gente. Não restam dúvidas que suas palavras me tocaram profundamente. Sou grato à amiga por dividir comigo certos momentos seus, instantes que poderiam ficar só para si mas que resolveu partilhar com o amigo.  

 
A bem da verdade cada pessoa sabe o  momento propício de realizar mudanças. Se a vida já não lhe agrada, o recomendável talvez seja mesmo mudar de ares. Entendo que às vezes é preciso imitar a serpente que de tempos em tempos troca de couro para poder sobreviver. Ela sente que o velho ficou pesado, tornando-se impossível de carregá-lo assim. Essa maneira de compreender a vida facilita o caminhar daqueles que resolvem mudar de hábitos, tentando de uma vez por todas oxigenar suas vidas. Certa vez eu tentei realizar algumas mudanças na maneira de me comunicar, e tenho certeza de que isso inspirou-me algumas vezes a escrever textos que se assemelham a cartas de amor. Não deixa de ser uma espécie de reformulação, uma mudança que logrou êxito.





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Conversa de fim-de-semana

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