Um punhado de sonhos

Luiz Maia

Como é bom acreditar que ainda haverá chance de ver nos jornais notícias de um tempo de fartura, em que violência e maldade sequer sejam lembradas. Poder acordar com o canto dos pássaros, inclusive de espécies que estiveram próximas da extinção. Ver as crianças aprendendo a respeitar os mais velhos, a natureza e os sinais de trânsito. Observar as prefeituras plantando árvores nas ruas e a primavera brotando para valer. Sentir o aroma do ar, livre da poluição que tanto angustia e prejudica a saúde. Que maravilhoso seria não mais ver placas anunciando proibições: é proibido fumar, pisar na grama, estacionar... Objetos inúteis em uma sociedade na qual as pessoas se respeitam e se amam.

 

Seria como sonhar acordado. Verificar que ninguém mais passaria à frente do outro nas filas. Assistir à desativação das delegacias de polícia e ao remanejamento de fiscais públicos para cuidarem dos jardins das cidades. Tudo isso por pura falta do que controlar, fiscalizar ou reprimir. Não mais haveria necessidade de seguranças, carros blindados, câmeras eletrônicas e coisas do gênero. Ser delicado, gentil e amoroso seria uma prática corriqueira. Ver as matas renascendo das queimadas, os mares limpos e as fábricas com redução de emissão de poluentes, dando a certeza da alegria de viver a plenitude de um sonho bom, com a sociedade desfrutando da almejada qualidade de vida. O mundo passaria por tamanha transformação que a humanidade iria renascer ou, quem sabe, voltar às origens. Haveria mais sentimento, piedade e emoção. Somente assim o homem, finalmente, conheceria a verdadeira essência do existir.



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Conversa de fim-de-semana

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