Viva a esperança!

Luiz Maia

Você se lembra de quando falávamos de nossos sonhos, lá na varanda de nossa casa? Muitas vezes disseram que éramos uns bobos. Lembra também quando juntos partilhávamos esperanças com os amigos? E daqueles devaneios de querermos mudar o destino da humanidade? Pois bem, agora não precisamos de mais nada pois a esperança nos abraçou, de forma demorada e definitiva. Certamente não há nada melhor além daquilo que nos foi prometido. Nem precisávamos de algo mais. Desejamos apenas a esperança tão ansiada que chegou em forma de realidade. Um novo tempo começa enfim, mudando nossos destinos e a forma de encararmos a vida. Nada será como antes. O mundo mudou e as pessoas estão livres para serem felizes. É tempo de reunirmos os cacos e refazermos nossa caminhada. O tão almejado período de paz parece refletir em cada rosto, em cada ação demonstrada pelas pessoas nas ruas, nas esquinas e nas avenidas deste nosso lugar. A alegria toma forma e já não temos tempo a perder para abraçar os amigos que chegam.

Quase sempre eu não sabia o porquê do mundo ser tão injusto com tanta gente. Claro que em nossas conversas sempre soubemos separar a realidade crua em que vivíamos do mundo que queríamos para todos nós. Sabíamos que a luta seria grande, mas que nada nos faria desistir de seguir em frente. Por isso valeu a pena. Agora eu vejo que os jornais já não trazem notícias de violência, de corrupção, de crimes. Dizem que a fome já não existe nos lares mais pobres. As guerras foram todas banidas e as armas conduzidas para o museu mais próximo. O sorriso está estampado em cada face onde antes tudo era incerteza. Já não ouvimos os gritos que varavam as madrugadas anunciando a agonia de um povo oprimido, de uma gente excluída da sociedade pelo esquecimento vil daqueles que supunham ser superiores ao próprio tempo. Vamos seguir sorrindo porque o momento é propício para comemorarmos a valorização da vida. Hoje respiramos a paz sonhada. Brindemos a alegria de poder viver sem sobressaltos, sem ódio no coração, sem medo do dia de amanhã.



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Conversa de fim-de-semana

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