A importância da educação

Luiz Maia

O meu interesse em perceber aquilo que está à minha volta já me rendeu bons frutos. No entanto, quando eu arrisco falar com alguns adolescentes sobre a necessidade de salvaguardar nossa Língua, imagino que muitos deles devem me achar um chato. Talvez por isso a tamanha indignação minha com esse desinteresse pelo nosso idioma. Isso fere minh'alma. Até entendo essa indiferença, mas faço questão de dizer que a Língua portuguesa merece ser considerada como um patrimônio do nosso povo. Ariano Suassuna, esse brasileiro ilustre tão reverenciado por sua importante obra literária em nosso País, faz de cada palestra sua uma aula de amor à nossa cultura, à nossa gente, à nossa Língua portuguesa. Precisamos de mais Arianos para solidificar em cada cidadão o interesse por tudo que diz respeito à nossa cultura.

Sabemos que os países que detêm a hegemonia da tecnologia, sobretudo do poder econômico, que fazem parte do chamado "primeiro mundo", tratam os demais países como meros satélites gravitando à sua volta. Tais fatos são geradores de 'quase uma imposição' de sua língua sobre as demais. Mas podem prestar atenção como alguns desses países são pobres culturalmente se comparados ao nosso. É um fato. Mas eles têm imenso orgulho de serem cidadãos de suas pátrias. Todos têm auto-estima. Eis a grande diferença nossa. Imaginem vocês se tivéssemos a auto-estima preservada em relação ao idioma como temos em relação ao futebol, por exemplo. Seríamos imbatíveis neste aspecto.

Não existe povo forte sem auto-estima em relação ao seu potencial como povo e Pátria fortes que somos. Falta-nos educação. Eis o xis da questão. Não existe utopia nenhuma que suporte uma população deseducada. Alheia. Alienada. Vejamos o exemplo que o Japão deu ao mundo. Depois de quase destruído na II Guerra Mundial, o Japão ressurge das cinzas e resolve investir na educação como única prioridade para seu povo. E como deu certo. Hoje ele deixou de ser um País apenas agrícola para se tornar uma potência mundial.

Este tema levou-me a pensar numa coisa interessante que pode servir-nos como ilustração: as palavras de Josué de Castro, em seu livro "Geografia da Fome", quando conduz o leitor a perceber que as pessoas desnutridas, sobretudo as nordestinas, costumam rir de sua própria miséria por não terem discernimento, por serem pessoas inaptas a estudarem porque seus cérebros estão irremediavelmente comprometidos pela fome endêmica em que vivem.

Educação faz a diferença. Claro que sim! Faz com que um povo adquira uma melhor consciência, detenha mais informação e, conseqüentemente, mais sabedoria. E um povo sábio dificilmente poderá ser passado para trás. Vem daí a auto-estima de que tanto necessitamos. O fato é que ninguém sabe ao certo quando teremos um Governo disposto a investir pesado na educação. Os problemas começam na falta de educação para todos. Esse é um desafio que teremos de enfrentar sem muitas delongas. Países como a China e a Índia são nossos competidores diretos. Ocorre que ambos entenderam que só investindo na educação poderão criar quadros de excelência e competir de igual para igual com os países mais desenvolvidos do mundo. É preciso entender o recado e arregaçar as mangas. O futuro depende apenas de nós.

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