A influência do bem e do mal sobre nossas vidas

Luiz Maia

As pessoas são contagiadas pela aura do bem ou do mal que está à sua volta. Ao interagir com o seu meio, ao absorverem as diversas informações (e as más predominam), elas são envolvidas por angústias e um certo desencanto que as remetem a um viver infeliz.

Tal preâmbulo objetiva chamar a atenção para a triste realidade que acomete os nossos dias, com a farta divulgação, pela imprensa, do mais variado e requintado noticiário de coisas ruins e deploráveis que acontecem e o grande mal que isso vem causando às pessoas. A influência nefasta que os meios de comunicação têm exercido sobre tanta gente incauta (e a grande maioria é constituída de pessoas ignorantes, humildes em todos os aspectos, gente simples desprovida de cultura e sem discernimento) nesse país afora é algo muito sério. O público é diariamente agredido com tenebrosas notícias sobre o crime frio com requintes de crueldade, o roubo à mão armada às caladas da noite, as chacinas acontecidas pela madrugada, ou mais um grande golpe praticado pelos corruptos de plantão, parecendo até ser esse o café da manhã preferido por muitos. Isso sem falar dos programas de televisão que ferem e humilham a quem os assistem. Eles, no afã de fazer valer a notícia pela notícia, em busca de obterem um bom índice na audiência, transgridem as normas mais elementares do bom senso e da ética. Vale tudo para se alcançar o objetivo, mesmo que seja através de procedimentos desumanos e irresponsáveis.

Esse horrendo festival de más notícias, efetivado pelos arautos do mal, afeta a saúde, a disposição e a alma dessa gente. É inconcebível se viver a aspirar gases tóxicos emanados de mentes poluídas, que ao invés de informarem mais parecem apologistas do lastimável estado de degradação a que chegaram.

Numa rápida passagem por um desses programas de televisão, é fácil notar as mazelas dessa gente humilde, pobre de tudo, sendo expostas para gáudio de uns desequilibrados. Mais que isso: insensíveis e inconseqüentes. Chama a atenção o elevado número de medicamentos, notadamente antidistônicos e calmantes, consumidos para minimizar o desconforto e a insegurança causados por esses fatores externos. Essa rotina cruel causa o desânimo coletivo, o estresse que levam ao desgaste físico e emocional.

Não se trata de querer censurar ninguém nem fazer com que todos abracem a alienação. Parece até que as boas notícias não existem ou são boicotadas. Nada de novo se fala. Nada de bom é divulgado, parecendo mais que estamos fadados a amargar só o mal que acontece, o que não presta e não edifica. É preciso tempo para as notícias que enfocam o lado bom da vida. Falar, por exemplo, das atividades que alavancam o país, tendo à frente pessoas comprometidas com o trabalho sério e que amam o que fazem. Pessoas que acreditam no futuro mais promissor, e para isso lutam contra as adversidades, mas que sem perder a esperança. É necessário enaltecer aqueles que buscam na solidariedade o único meio de serem felizes e de tornarem muitos felizes também. E há muita gente boa nesse mundo cuidando de nós, zelando para que a vida não morra no seu nascedouro. Gente amiga, fraterna e que faz dessas armas seu sadio caminhar em busca de auxiliar o primeiro que recorrer aos seus préstimos. Sabemos das atividades que são exercidas com enormes riscos e nem por isso as pessoas deixam de fazê-las com amor e carinho. É tempo de mostrar os construtores de um novo país que se avizinha. Um país moderno, autônomo, solidário, onde venha a pontificar uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos os seus filhos não se envergonhem de sua terra. É tempo de refazer a notícia.

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