Coisas da mídia

Luiz Maia

A televisão brasileira está entre as melhores do mundo. Possui profissionais competentes e avançada tecnologia. Está apta a oferecer uma programação com qualidade não apenas técnica. Infelizmente não é isso o que acontece. A TV brasileira vive de apelações grosseiras e da exploração de fatos trágicos e tristes.

As emissoras fazem o que está à mão para conseguir elevar os índices de audiência e passar à frente das demais. O elenco de artistas é constantemente renovado. Às vezes se torna até difícil arrumar espaço na telinha para tanta estrela. Os apresentadores de programas de auditório e de variedades ficam à mercê das pesquisas das preferências dos telespectadores. Um resultado abaixo das expectativas da emissora é suficiente para provocar alterações profundas no programa e até sua saída do ar. E é na tentativa de reverter a queda de audiência que se costuma apelar para programas de qualidade duvidosa.

Ultimamente, a mídia tem sido culpada por tudo que acontece no país — ou o que deixa de acontecer. A bem da verdade, a mídia transformou-se num grande e rentável balcão de negócios. As pessoas que são do meio, especialmente da televisão, encontraram uma maneira de permanecer em evidência, sendo sempre notícia. São casamentos arrumados, namoros forjados, troca-troca de emissoras e até mesmo anúncio de possíveis doenças. Tudo entre os que detêm o poder de manipular a informação em benefício de uns poucos, que já formam uma casta de privilegiados nos meios de comunicação! Já existem revistas, programas e jornalistas especializados em explorar esse filão — a fofoca.

O mais triste e lamentável em tudo isso é que a máxima de atingir os fins sem questionar os meios parece ser aceita indiscriminadamente. É comum se observar, na busca alucinada pela audiência, alguns programas servirem de vitrine para atrizes, cantoras, modelos e até apresentadoras, cujo ponto alto do currículo é ter posado nua nas revistas masculinas de maior tiragem. A televisão no Brasil parece estar envolta numa espessa camada de promiscuidade. Não se quer retomar a censura ou fazer discurso de puritanismo ou falso moralismo. Quer-se apenas juntar-se à sociedade que já busca discutir os valores que são veiculados na programação das emissoras.

A continuar no ritmo atual, em bem pouco tempo vai-se achar natural que posar nu seja um trabalho ou prestação de serviço como outro qualquer. Com o agravante de parecer um trabalho mais fácil, de menor esforço e com uma remuneração consideravelmente mais elevada. O excesso de permissividade é prejudicial à formação moral das crianças e jovens. Sabemos que a televisão brasileira ainda mantém alguns redutos de excelência. Nem tudo é lixo. Há pessoas sérias e comprometidas em elevar o padrão de qualidade da programação televisiva. É salutar que isto ocorra para que os próprios produtores de programas de TV cuidem de oferecer algo melhor, antes que seja imposta uma nova forma de censura por parte dos órgãos responsáveis pela regulamentação desta atividade.

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