Por uma consciência ecológica

Luiz Maia

O mundo chegou a um instante limite de empobrecimento ecológico de tal sorte, de tamanha gravidade, que só nos cabe a indignação e a busca pela reversão do quadro. O mundo assiste atônito à carência de uma maior consciência sobre as questões de preservação da natureza e do ecossistema. Ninguém de bom-senso pode adiar essa discussão a menos que queira perder o bonde da história. O momento atual é propício à elaboração de leis que visem dar prioridade às questões relacionadas à preservação da ecologia, do meio-ambiente, com discussões para se criar uma consciência ecológica em cada cidadão.

Os rios e mares poluídos clamam pelo oxigênio que a poluição lhes roubou. Chegamos à triste constatação que apenas três por cento de toda água do planeta é potável, não estando, ainda, contaminada. As florestas estão sendo devastadas de modo insano e criminoso por mãos ensandecidas pela ignorância e pelo lucro ávido. As grandes empresas, em nome do progresso, poluem o ar a derramar toneladas e mais toneladas de gases tóxicos na atmosfera, ignorando normas e leis que regulamentam e obrigam ao uso de filtros adequados às necessidades básicas de preservação da saúde da população e do meio-ambiente. A fauna e a flora vêm sendo agredidas, a ponto de várias espécies animais e inúmeras formas de vida vegetal já terem sido abolidas do planeta

A cidadania de que tanto se fala é algo bem mais complexo e abrangente que alguém possa imaginar. Passa sobretudo pela consciência de que, em sendo o homem o único ser pensante na terra, cabe a ele o ônus de tornar a vida de todos, homens ou não, respirável em total consonância com a mãe natureza. Cobrar os seus direitos é dever de todo cidadão, mas sem jamais esquecer dos seus deveres para com a sociedade. E como o assunto em pauta é ecologia, nada melhor que lembrar que precisamos urgentemente cuidar da nossa casa, da mãe natureza que está anos a fio sendo destruída e mal cuidada por nós, cidadãos do planeta Terra.

Cidadania é mesmo assunto que precisa ser levado às escolas, assim que a criança comece a ter um mínimo de entendimento de vida e do mundo em que vive. Está na educação a raiz da cura de todos os nossos males. Os simples atos de ensinar a criança a não jogar o lixo na rua, a jamais aceitar que se busque na predação da natureza meios para o seu sustento, de informar do mal que é o vício do fumo e do álcool, uma simples orientação de como devemos nos conduzir nesse mundo são formas fantásticas de implantar a cidadania na prática e formar desde cedo na cabeça do jovem a consciência ecológica tão necessária à saúde do planeta.

Cidadania pressupõe-se uma via de mão dupla, em que cada um respeite o outro e todos passem a respeitar aquilo que temos de mais precioso que é a natureza da qual somos parte integrante. É hora de darmos as mãos e buscarmos nas soluções mais simples a saída para um mundo melhor. Um pequeno exemplo podemos deixar aqui: os grandes lixões que emporcalham e destróem o meio-ambiente, geralmente circunscritos às periferias das grandes cidades, precisam deixar de existir. Cabe ao poder público dar prioridade à instalação de projetos ambientais que implementem a construção de centenas de estações de lixo por esse país afora. É simples. Apenas um exemplo de como se começar.

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