Simplicidade: mais que um modo de vida

Luiz Maia

Quem não ouviu alguém dizer que a felicidade está nas coisas mais simples da vida? Pois bem, a natureza nos põe diariamente diante de inúmeros exemplos disso. O pôr-do-sol e todo o seu deslumbramento, o alvorecer trazendo consigo os primeiros raios de sol e novas esperanças, a passarada a nos inebriar com o seu cântico nas manhãs de cada dia, o sereno e a chuva que nos dão vida, o cheiro de mato verde, as florestas que nos oferecem o oxigênio e a sombra, causadoras do equilíbrio do ecossistema, o encanto do escurecer e o magnetismo das noites de luar, os mares e rios com suas águas que nos lavam e saciam a nossa sede, os reinos animal, vegetal e mineral, os peixes, os moluscos e toda flora marinha, as frutas e demais nutrientes que nos alimentam, as flores que nos remetem aos devaneios, todas essas coisas nos mostram como é bela e maravilhosa a natureza e ao mesmo tempo como tudo isso assume a forma da mais perfeita simplicidade já vista e imaginada pelo homem. Deus ao criar a natureza o fez de maneira a ser perfeita e exuberante. É a própria complexidade simples. Ou a simples complexidade. A maior simplicidade reside na grandeza absoluta da natureza.

Já é comum, hoje em dia, assistir a pessoas que enveredam pelo lado simples das coisas. Que buscam uma vida onde não sejam precisos tantos protocolos, tantas bagagens, tantas coisas que não passam de supérfluas e desnecessárias. Ultimamente o despojamento das pessoas, de hábitos e de costumes antigos, vêem num crescendo considerável, o que apenas atesta a busca pelo modo mais natural de ser e de viver. Está em plena evidência entre muitos a mudança radical e sistemática de vida. Seria quase que a volta às origens, onde a poluição, a correria desenfreada pela sobrevivência, o estresse e outras mazelas desapareceriam, dando vez à calma e à tranqüilidade que só o simples pode oferecer. Os homens que durante muitos anos buscaram as cidades para viver, hoje tentam fazer o caminho de volta ao campo, onde certamente vão desfrutar de uma melhor qualidade de vida, respirando ar puro e tendo o sossego desejado.

O fato é que a chamada sociedade moderna conspira contra o simples. Vai de encontro às coisas mais comuns quando nos apresenta, a cada momento novo, aparelhos dos mais sofisticados acenando com mais conforto para uma vida melhor. Cada vez mais as pessoas se vêem interagindo com as facilidades oferecidas pela moderna tecnologia. O saudável exercício físico cedeu lugar ao controle remoto. O primeiro que aparecer é só clicar e pronto: lá está diante da pessoa todo tipo de vantagem e conforto que elimina qualquer esforço físico maior. A pessoa hoje sai da cama, come um lanche rápido, entra no carro com ar-condicionado, chega ao escritório e assim segue levando uma vida para lá de sedentária. Milhares de pessoas não conhecem sequer uma galinha viva ou andou descalço na areia de um sítio qualquer. É um absurdo a pessoa que vem ao mundo e não interage com a natureza na sua forma mais natural e simples possível.

Para se viver o natural, para se buscar o simples, não é preciso ser uma pessoa de posses. Basta ser uma pessoa sensata, que detenha força de vontade para mudar e oxigenar a sua vida. Buscar fundamentalmente um novo modo de vida. Aspirar saúde e dar um chute nas coisas artificiais que ficaram para trás. Não será preciso escalar montanhas rochosas e íngremes, nem também ter que comprar um belo sítio, uma casa de campo ou coisa que o valha. Será preciso apenas, isso sim, uma completa transformação interior objetivando com isso fazer valer a vontade de viver uma vida simples e em perfeita consonância com a natureza.

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