É nos momentos de maior pressão que você tem de manter a sua dignidade.

As tragédias são oportunidades para mostrarmos a nossa fibra

Uma das maiores batalhas que tenho enfrentado em minha vida tem sido com as
pessoas que julgam que é o tamanho dos problemas que as impede de ser
felizes. Mentira!

Muita gente, em situações críticas, consegue ter paz no coração e
atravessar oceanos de angústia com um sorriso no olhar. Por outro lado,
indivíduos com todo o tipo de conforto não encontram nenhum estímulo para
sair da cama.

Se fosse verdade que é a ausência de problemas que traz a felicidade, os
países nórdicos, apesar de seu avançado estágio de evolução, não teriam a
maior taxa de suicídio do mundo. E os Estados Unidos, com todo o seu
desenvolvimento econômico, não seriam a nação com o maior número de
depressivos.

Imagine como foi terrível a tragédia sofrida pelo iatista Lars Grael, um
atleta no auge da sua forma física, cuja perna foi amputada por ter sido
atingido por uma lancha dirigida por um sujeito acusado de estar
embriagado. E eis que ele ressurge das cinzas como uma fênix moderna.

Há também o caso daquele menino que ficou cego por causa de uma infecção
oftalmológica, que teria sido evitada se o pai tivesse dinheiro para
comprar uma injeção de penicilina. Seu nome: Ray Charles. Ou daquele outro
menino que estava brincando quando perdeu o pé num atropelamento em sua
cidade, Cachoeiro do Itapemirim, e se transformou em nosso rei Roberto
Carlos.

Esses são exemplos de pessoas famosas que superaram seus dramas com força e
determinação. Mas tenho certeza de que ao seu lado existem muitas pessoas
anônimas que também superaram as suas tragédias com coragem. Neste momento
me lembro da mãe do meu amigo Elvízio Trigo Vanzo, que subitamente ficou
viúva com três filhos pequenos e foi trabalhar como lavadeira para
criá-los. Hoje, os três são adultos saudáveis que sabem levar suas vidas.

Todas essas pessoas que poderiam, com razão, ficar amarguradas e revoltadas
com a sorte, decidiram tocar a vida o melhor possível e se converteram em
exemplos de fé e determinação.

Quando eu era criança e começava a reclamar da vida, minha mãe costumava
contar a seguinte história:

Havia um homem que estava muito infeliz com sua cruz. Um dia, ele pediu a
Deus para trocar de cruz, e o Criador, em sua suprema bondade, o autorizou
a procurar uma nova. O rapaz foi até o depósito de cruzes para ver se
encontrava uma de seu agrado, mas ficou angustiado com o tamanho delas.
Todas eram imensas e, para piorar, algumas eram de mármore ou de chumbo.

Frustrado, ele estava se preparando para ir embora, quando olhou um dos
cantos e viu uma cruz tão pequena que parecia um crucifixo. Olhou para Deus
e, quase envergonhado, pediu a Ele se podia levá-la. Deus, com um sorriso,
fez um sinal positivo. Ele então correu para pegá-la e qual não foi sua
surpresa quando viu o seu nome escrito atrás dela!

Se você analisar um problema minuciosamente, vai perceber que ele não é dos
mais pesados para carregar. Lógico, a tendência é pensar que nossos
problemas são os piores do mundo. Certamente é assim com a maioria das
pessoas. Mas as dificuldades não estão baseadas no tamanho dos problemas, e
sim nas soluções criadas. Portanto, diante da dor causada por uma
adversidade, saia atrás de uma solução, porque esse é o caminho para deixar
a existência mais leve.

Chorar num momento de infortúnio é normal, mas ficar chorando a vida
inteira é masoquismo.

É nos momentos de maior pressão que você tem de manter a sua dignidade.
Aceitar sofrer todo o seu calvário e saber que, após essa dor, você terá
renascido.

Roberto Shinyashiki

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