Ana

Luiz Maia

Sinto um vazio quando te calas. É a tua ausência presente em mim.

Tua alegria constante, irradia em minh'alma a sensação de vida.

Ver-te sempre: te ouvir sem dispor da mínima idéia de tempo.

Deixo fluir o dia ao teu lado sem cansaço, todo ouvidos.

Sinto um vazio quando te calas. É a tua ausência presente em mim.

Tua mente é rica, fértil: pedra preciosa que não cansa de luzir.

Vejo tua luta ao se despir das máscaras. Autenticidade linda!

Misto de frágil e selvagem... Feliz de quem cair em tuas garras.

Sinto um vazio quando te calas. É a tua ausência presente em mim.

A flama que emanas ao me olhar me queima: deixas tua marca indelével.

E pelos teus olhos inicio, suavemente, minha viagem corporal - transcendo.

Por uns instantes sinto-me teu e tu minha: espelhas a paz dos amantes.

Sinto um vazio quando te calas. É a tua ausência presente em mim.

Pressinto minhas palavras perderem-se no éter: és só silêncio...

Foges de tudo e de todos, do mesmo modo como apareces - um corpo luz!

Te escrevo sempre à luz do dia, ao meu redor se faz escuro: tu já não estás.

Sinto um vazio quando te calas. É a tua ausência presente em mim.

A vida flui naturalmente. Ao longe te ouço: és a canção do entardecer.

Cai o crepúsculo lentamente... sem ver teus olhos, só me resta a saudade tua.

Em meio às minhas quimeras, desperto: já é noite; cantas noutro lugar.

Sinto um vazio quando te calas. É a tua ausência presente em mim.

Rendo-me às evidências: naquela tarde estavas linda. Estonteante.

Bem junto a ti usufruí do teu perfume, e a tua alegria contida.

Deixaste em meu quarto teu cheiro no ar. E o teu jeito enigmático de ser...

ooo

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