A banalização da internet

Luiz Maia

Entendemos perfeitamente que a internet é uma revolução na sociedade moderna. Algo novo que nos traz inúmeras facilidades, mas que ainda carrega consigo entulhos que precisam ser extirpados. Ocorre que não podemos ceder terreno para aquilo que é medíocre porque depois de instalado dificilmente arredará o pé. Precisamos exercer a tolerância, sem nos esquecer de conter os abusos que são muitos no nosso dia-a-dia. Quando somos complacentes com aqueles que agem errado, estamos desestimulando os que se esforçam para acertar.

Possivelmente a minha maturidade me faz enxergar melhor aquilo que está ao meu redor. Esse meu entendimento de vida, essa minha maneira de ver o mundo, essas coisas têm-me feito muito bem, embora tenham me conduzido por caminhos que não são os mais cômodos para mim. Ser seletivo, expressar a minha opinião sobre certos assuntos - com os quais eu não concordo - não tem sido uma tarefa fácil. Às vezes eu encontro incompreensões por parte de pessoas aparentemente lúcidas, mas que não aprenderam a Arte de divergir para que possamos convergir logo adiante. Mas eu sou assim e preciso seguir em frente. Sou utópico por natureza. Não posso perder a esperança de ver um mundo melhor para todos, um lugar onde haja apenas a prevalência do bem. Esse lugar eu entendo que começa dentro de nós. Começa em nossas casas. Inicia-se, finalmente, quando avivamos nossas consciências. Depois o levaremos pelo mundo afora.

Faz tempo que eu tento escrever algo relacionado à falta de criatividade das pessoas ao fazerem uso da internet. Desejo alertar e esclarecer alguns pontos que entendo como necessários, não sendo nada pessoal contra ninguém. Apenas uma reflexão para tirarmos proveito logo mais. Tem como tema central a banalização das mensagens, o processo de mediocrização da notícia que acontece na internet. Precisamos estar atentos quanto à necessidade de não banalizarmos as nossas relações, sejam elas virtuais ou não.

Registro o meu desabafo diante da maneira equivocada com que muitos lidam com o computador. O que poderia servir como uma excelente ferramenta de trabalho, de alcance para ajudar o próximo, ou uma oportunidade para fazer amigos, infelizmente para muitos não passa de uma máquina banal. Serve apenas para difundir suas brincadeiras, com conseqüências desagradáveis. Em muitos casos recebemos mensagens que chegam a nos agredir. O que dizer dos repasses tolos que beiram o absurdo? São 'crianças desaparecidas', 'ofertas de emprego', 'remédios que curam a falta de ereção', 'piadas sem a menor graça', etc. Isso sem esquecer dos textos mal redigidos, cheios de imperfeições, sem levar em conta os vários erros de português. Existem textos que fazem muito mal, assemelhando-se ao pior dos vírus.

Algo que acontece freqüentemente comigo deve estar ocorrendo também com você. Das mais de cem mensagens que recebo diariamente, aproveito apenas umas vinte. E olhe lá. Existe uma facilidade muito grande de as pessoas repassarem tudo que chegam às suas mãos, sem nenhum critério de seleção. A banalização da notícia torna este espaço estreito demais, às vezes sujo. Em alguns casos, promíscuo. Tudo poderia ser diferente se as pessoas avaliassem melhor as mensagens que vão enviar às outras, partindo do princípio que deveriam agir com bom senso. Sei que bom senso é muito relativo e cada um interpreta à sua maneira. Mas por que não fazer uma autocrítica, se gostariam ou não de recebê-las, antes de repassar tanta bobagem?

É tempo de repensarmos a maneira como lidamos com aquele ser humano que está do outro lado da telinha. Precisamos saber se podemos ser um instrumento benéfico para o seu crescimento, se estamos de fato levando a boa informação às pessoas, ou o bom entretenimento ao outro, ou simplesmente se estamos nos igualando àquele que dispensa o uso de critérios de avaliação. Refletir nunca é demais.

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