A idade do lobo

Luiz Maia

Ninguém passa impunemente pela meia-idade, conhecida como a "idade do lobo". A virada dos 40 anos, pela qual todos passamos, equivale a um novo ciclo de vida, onde tudo parece ser desconhecido e assustador. Não há como negar que vários fatores contribuem para isso: a ansiedade, o medo do desconhecido, a insegurança ao avistar a juventude sumindo, tudo torna a pessoa refém de um tempo que se foi. Poucas são as que procuram enfrentar a crise com sabedoria.

Ao invés de pensarmos que esta fase indica o ocaso do homem, que tudo acabou, poderíamos imaginar tratar-se de um período rico na fase de mutação do homem e da mulher. Momento sereno, em meio a naturais questionamentos, de pleno encaminhamento à maturidade, através das transformações e renovações que modificam a nossa maneira de ser.

O homem deveria aprender mais com a natureza. Apreciar, por exemplo, as variadas formas de mutação acontecidas a cada dia. Observar, com extrema naturalidade, o correr manso de um rio, levando suas águas ao oceano; o pôr-do-sol anunciando o ocaso de mais um dia; o silêncio da madrugada, à espera de mais um alvorecer, o engatinhar de uma criança buscando alcançar novos caminhos. Instantes mágicos que configuram o ciclo da vida.

Quem observa a natureza com paciência e carinho não perde a viagem. Quem tenta descobrir a importância da ação do tempo em nossa existência, não tem como se preocupar. Há que se observar também as inúmeras compensações que a idade madura nos proporciona, inibindo a possível valorização de certos traços indesejáveis que a velhice nos traz.

Não podemos negar que nos tornamos mais experientes, um pouco mais sábios, mais tolerantes com o próximo, infinitamente mais preparados para lidarmos com as adversidades, assim como com as coisas inerentes à afetividade e ao amor. A meia-idade pode nos conduzir por caminhos mais serenos, que tranqüilizam o nosso ser. Alarga nossos horizontes e nos faz pessoas melhores, desde que nos quedemos ao natural ciclo da vida. Possibilita-nos renovar projetos de vida, círculos de amizade, visão que nos leva a concluir velhos sonhos de ações solidárias.

Isso sem esquecer do tempo disponível que ganhamos para andar à procura de pessoas que tenham a mesma afinidade nossa, visando construir projetos que levem o bem-estar e a melhoria de vida às pessoas. Tudo isso inspirado na sensibilidade que só o tempo pode nos oferecer.

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