Despedida

Luiz Maia

Quem me conhece sabe muito bem como detesto as despedidas. 

Vim ao mundo e jamais me ensinaram a lidar com esse momento.

Hoje, mais do que nunca, sinto que se aproxima mais um daqueles instantes limite, e logo virá o abraço de mais uma despedida. 

E muitos nem sabem que todos os abraços, dados por mim, em todas as despedidas, foram os abraços mais hipócritas de que se tem conhecimento.

Tal como a madrugada, que se despede de todos sem que seja notada, as pessoas chegam à minha vida, me oferecem flores, perfumam o ambiente, me fazem felizes e me dizem adeus.

Foi sempre assim.

Não gosto, meu Deus, jamais poderei gostar de despedidas. 

Odeio todas as despedidas, se queres saber. 

Por que, meu Deus, são tão doridas as despedidas? 

Todos os dias, antes de dormir, agradeço a Deus pelas coisas boas que o mundo me dá, e peço perdão por ter retribuído tão pouco.

Acontece que a partir de hoje não mais irei agradecer.

Muito menos poderei retribuir coisa alguma, já que o meu coração está amargo e a minha dor explícita.

Neste momento, no qual me sinto um bobo, preciso reunir forças para afirmar que não creio mais em sonhos, nem na esperança, nem no amor...

Agora sou eu quem se despede. 

Hoje despeço-me de todos: do palco, da vida, do mundo. 

Despeço-me de você, das dores, dos conflitos, dos amores, dos sonhos. 

Despeço-me de mim, pois já nem me reconheço agora...

  ooo

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