Ditadura cultural

Luiz Maia

Gostaríamos de ver todos os brasileiros envolvidos em projetos culturais. Que, principalmente, tivessem acesso à leitura, para poderem educar-se e serem donos de si. Sabemos que um País se constrói com homens e livros. Mas essa máxima nunca sensibilizou aqueles que seriam os responsáveis diretos pelo engrandecimento deste País.


Os Princípios Fundamentais, estabelecidos na Constituição Federal do Brasil de 1988, contemplam inúmeros direitos ao cidadão brasileiro. Em seu Art. 3º - IV diz que: "Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

Na prática isso inexiste. Há várias formas de o indivíduo ser colocado à margem da sociedade, principalmente quando não lhe são oferecidas chances iguais. Muitas pessoas se vêem excluídas do processo de escolha daquilo que gostariam de ser e/ou de fazer de suas vidas por nunca terem tido uma oportunidade condizente com as suas expectativas.

Esse é um modo de negar a cidadania às classes menos privilegiadas da sociedade. E o ser humano que não exerce a sua cidadania plena é considerado por alguns como cidadãos de segunda categoria. Essa forma perversa de exclusão não deveria ser tolerada. A ignorância de milhares chega pelas mãos da chamada "ditadura cultural" estabelecida entre nós.

A exclusão cultural de milhões de brasileiros é algo injustificável. Essa crueldade remonta há séculos visando assegurar privilégios de uma casta da população que não usa de nenhum escrupúlo para obter os seus fins, mesmo que para isso seja necessário tapar os olhos das pessoas que lhes servem diariamente.

As nossas elites sempre negaram à maioria da população o próprio direito inalienável à vida. Elas esquecem até de oferecer trabalho decente e a remuneração justa, imagine então oferecer cultura. E assim muitos não têm o direito de poder crescer tendo acesso total à informação, através da notícia, e à cultura que vem dos livros. Ficam impossibilitados de construírem sua própria identidade, de adquirirem dignidade. É uma pena que ainda estejamos assistindo a tudo isso.

Ainda podemos fazer alguma coisa para se reverter este quadro. Só com a união de todos é que se poderá levar às pessoas a consciência que muitas delas ainda não têm. E a leitura em si é de vital importância para se chegar à informação, seja através de livros, jornais e agora também pela internet. A leitura é sem dúvida uma ferramenta básica, imprescindível, na formação das pessoas, do seu crescimento como seres humanos. Feliz de um povo que vê nos seus governantes o interesse sempre crescente para que todos tenham acesso fácil à educação e à cultura de boa qualidades.

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