Falando francamente

Luiz Maia

Há mais de três anos venho interagindo diariamente com mais de 400 pessoas pela internet, não só do Brasil como também do exterior. A maioria desse grupo é composta por mulheres e o resultado final tem sido o melhor possível. Muitas delas logo se identificam com os textos e assim vamos construindo amizades. Textos que se afiguram como verdadeiras pontes entre nós.

Algumas teceram comentários sobre um texto meu, cujo título é 'Solidão', e abordaram este tema sem cerimônias comigo. Ouço a cada uma delas e ao final reafirmamos a nossa amizade, além de aprendermos um pouco mais sobre nós mesmos. Certa vez uma pessoa chegou a me dizer que sentia solidão na falta de um grande amor. Outra disse-me que gostaria de ser apreciada por alguém especial, pois sentia-se carente de um carinhoso aperto de mão, misturado a um olhar terno e cúmplice. Adiante outra confessa que detesta estar só porque começa a olhar para trás e percebe que a vida vai passando para ela. Todas entendem que este tipo de solidão arrasa qualquer um. Eu, simplesmente, as compreendo e as respeito em nossas saudáveis conversas. Mas é óbvio que a solidão indesejada 'fere' e 'humilha' qualquer pessoa.

Eu entendo que este tipo de interação nos leva a refletir sobre o nosso cotidiano, a respeito daquilo que fazemos de nossas vidas, do nosso comportamento como um todo. Afastada a carga emocional de nossas conversas, podemos perceber que de fato não deve ser fácil a pessoa não ter ninguém ao seu lado com quem possa expressar seus sentimentos, conversar e trocar ideias. Alguém que busque até mesmo enganá-la de que não somos sós. Isso mesmo, amiga. Na verdade fazemos parte de um bando de solitários, imaginando que o outro não vive desse modo. Nascemos sós e vivemos a perambular abraçados à solidão. Não se engane pensando que é só com você que isso acontece. Se você tiver uma só amiga, que seja sincera e confidente, poderá tirar essa dúvida agora.

Mas a pior das solidões é a solidão a dois. Ela existe e todos sabemos disso. Aquela em que as pessoas estão lado a lado, diariamente, mas é como se não estivessem. Tudo que ocorre ao seu lado é automático. A relação esgotou-se e o prazer em sorver a vida a dois, também. Estão juntas mas separadas em pensamentos, atitudes e desejos. Elas estão marcando passo, vivendo como se estivessem cumprindo uma obrigação, um dever cujo dia-a-dia passou a ser uma atividade chata, nada mais. Vivem a cumprir suas 'obrigações' como se estivessem esperando a morte chegar. Esquecem que viver é bem diferente... Essa solidão deve doer mais que qualquer outra.

Penso no entanto que pouco ou quase nada acrescento à vida dessas pessoas, através de nossas conversas. E, se às vezes alguém sentiu-se bem assim, trata-se muito mais de uma projeção no texto do que um exemplo pessoal a ser seguido. Tenho carências e limitações que jamais poderão ser preenchidas. Quem não as têm? Ninguém é diferente de ninguém neste mundo, quando muito trocamos eventualmente de posição com o outro. Depois logo volta tudo à rotina que era. Somos todos uns eternos aprendizes. Nada mais, nada menos que isso. Portanto, vamos juntos a preencher os espaços vazios do nosso viver, com alegria no coração e sempre com esperança em alcançar dias melhores para as nossas vidas.

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