Padrão de beleza

Luiz Maia

É possível que ao lermos um texto possamos interpretá-lo diferentemente de outras pessoas.

Por isso toda atenção é pouca para não julgarmos ninguém imerecidamente. 

Certa vez o poeta Vinícius de Morais referiu-se às mulheres assim: 

"As feias que me perdoem mas beleza é fundamental".

Passados muitos anos essa frase ainda causa polêmica entre seus admiradores.

Uns entendem que ele se referiu à beleza interior das pessoas.

Outros a levam ao pé da letra.

Entendo que o poetinha traduziu um pensamento seu.

Mas, se buscou com isso estabelecer um padrão de beleza, foi infeliz pela visão excludente.

A frase a meu ver é imprecisa e não representaria um bom exemplo a ser difundido, muito menos seguido.

Não é a toa que a mídia apegou-se a esse conceito deturpado de se apregoar o belo, fazendo desse filão um meio de ganhar dinheiro e audiência, nos impondo a"ditadura da beleza" como padrão a ser copiado em sua inteireza. 

Se formos nos basear pelo já padronizado modelo de beleza instituído pelos meios de comunicação, haveremos de nos perguntar: "como seria a vida das pessoas "feias", aquelas que não têm os atributos físicos que se enquadram nos estereótipos de modelos e atrizes que povoam as revistas e as telinhas de tevê deste País?

O que fazer com essas pessoas comuns, as suburbanas, as anônimas da periferia, quando desprovidas de uma plástica admirável?

Qual a parte que cabe àquelas milhares de pessoas que se alimentam mal, que sofrem os dissabores de uma vida sem nenhuma perspectiva, mas que têm como lema a fé na vida e a esperança no amanhã?" 

Ao invés desse desenfreado culto ao corpo, os meios de comunicação deveriam estimular as pessoas a se verem como seres humanos comuns que são, mas capazes de viver uma vida digna e honrada.

Deveriam fazer apologia à honestidade, ao trabalho e aos valores realmente nobres.

Deveriam diminuir as diferenças e aumentar o sentimento em cada um de que a vida foi feita para ser vivida e aproveitada por todos nós, não havendo espaço para discriminações nem preconceito.

É tempo de escutar os silêncios daqueles que clamam pela boca fechada; o silêncio de homens e mulheres que não têm corpos  esculturais, mas que trabalham pesado contribuindo para o crescimento e grandeza deste País.

Pessoas, acima de tudo, dignas!

É tempo de escutar o silêncio dos excluídos...

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