Silêncios

Luiz Maia

Há um grande silêncio dentro de mim. Já ouço vozes dos que não falam. Sem ter o dom para apreciar minha própria companhia, vago pelos labirintos dessa encruzilhada.
Estou livre de compromissos e preconceitos porque há um imenso vazio instalado em minh'alma. O silêncio é a fonte mais honesta de poder traduzir as diversas formas de ausência em nossas vidas. Por isso busco e procuro o silêncio para mim.


Há um grande silêncio dentro de mim. As ausências tomam forma em minha vida. Elas me completam e me traduzem neste meu momento tão rigoroso e especial. Hoje me sinto livre de compromissos e desejos de amar porque já não tenho comigo o carinho de mãos que me seduziram um dia. Ausências de mãos que me guiaram pelas estradas da fé, pelos caminhos do amor. Ausências que falam de dor e da insatisfação instaladas no meu ser, bem presentes quando nos sentimos sós. Há ausências de pessoas, de amores, de palavras. Ausências que marcaram e me conduziram por momentos de encantamento. E hoje medito em silêncio, envolto nessa angústia causada por tantas ausências enfim.

Por isso busco e procuro o silêncio para mim.

Há um grande silêncio dentro de mim. Essa angústia imensa me abraçou e já não quer me largar. Sem perspectivas sou impelido a esquecer meus interesses, sendo consumido pelo calor do momento, sem entender ao certo a essência de diferenciar o autêntico do falso. Já não tenho forças que me livrem dessa dor. Só há o desejo alucinado de ouvir o silêncio que teima em me fazer companhia. Há silêncios eloqüentes que gritam na boca da noite a pedir por aqueles carentes de misericórdia. Impressiona-me saber que essa angústia me remete a um estado de paz e benevolência impossível de mensurar. Por entre sonhos e devaneios de quem delira, consigo ver, dentro de mim, paisagens cheias de pensamentos bonitos: vejo algumas poesias bucólicas, muitas flores, duas rosas, tudo esperando você.

Por isso busco e procuro o silêncio para mim.

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