Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Recife - 20 de agosto de 1947 - espoucara a champanhe no ar. Eu havia nascido. O parto foi o mais difícil e sofrido que a minha mãe tivera. Eu estava virado e nasci ao contrário dos partos normais, ou seja, de bunda para o mundo. Este seria o meu primeiro nascimento já que outros "aconteceriam" ao longo de minha vida. Nós nascemos mais de uma vez. Umas, acidentalmente, mas outra, em especial, por extrema necessidade.

Sou o mais velho dos irmãos, de um total de sete filhos que o meu pai e minha mãe tiveram. Nossa família era remediada: meu pai, um imigrante português, foi sempre um pequeno empresário do ramo de ferragens, mas muito zeloso para conosco, levando uma vida inteira dedicada à família. Minha mãe sempre foi muito presente e atuante, vindo a ser o ponto de equilíbrio da família: além de dar tempo integral, cuidando de todos e da casa, ainda reunia forças para ajudar nosso pai no armazém.

No começo de minha infância fui tomado por um vírus, início de meningite, mas sendo curado a tempo. Devido a esse problema, fui obrigado a conviver com os remédios por um longo período. O gosto de Calcigenol e Poliplex ainda hoje está bem vivo em minha mente. Alimentava-me mal e assim mesmo à custa de muito sacrifício. Esse momento eu vivia em meio à natureza e rodeado de brinquedos, tudo permeado por muito amor e carinho de meus pais. Nossa família era bastante unida, sendo esta uma característica marcante.

Minha casa sempre teve muitos animais, cachorros e passarinhos, já que o meu pai os adorava, mesmo encontrando em minha mãe uma forte resistência, já que, quando um cão nos mordia, o trabalho de nos levar a um posto médico era dela, para tomar umas vinte injeções na barriga. Antigamente era assim..

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