Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Novembro de 1970 e já respirávamos as férias de fim de ano. Antonio resolveu investir na compra de um fusca do ano e passamos então a elaborar nossos planos para aquela que seria uma viagem inesquecível, porém muito arriscada. Acontece que não tínhamos nenhuma experiência em dirigir numa auto-estrada, principalmente em se tratando de um trecho de 5.200 quilômetros - São Paulo - Recife ida e volta! Colocamos em dia nosso trabalho no escritório e marcamos o dia da viagem. Duas tias de Antonio, ambas freiras, resolveram vir conosco.

Chegou o dia e metemos o pé na estrada. No caminho resolvemos só parar na estrada para nos alimentar, tamanha era a nossa ansiedade em logo chegar. Mais uma vez estávamos sendo imprudentes. No trajeto, por duas vezes saímos da estrada e uma terceira eu dormi ao volante, só acordando debaixo do som da buzina de uma jamanta. Após o imenso susto, recoloquei o carro no prumo correto, e ficamos comentando aquele incidente. Por questões de segundos não morremos todos estraçalhados, à beira da estrada sem sequer saber onde estávamos. Mais uma vez Deus atuava a favor de nossas vidas, e eu nem me dava conta disso.

Enfim, chegamos ao Recife. Meu primeiro impulso foi de passar pela Av. Boa Viagem, e assim poder contemplar aquele mar de águas mornas, onde por diversas vezes mergulhei sem me dar conta que um dia sentiria uma imensa saudade dele. Ao chegar em casa, beijei e abracei o meu pai, que feliz se antecipara aos outros. Depois foi a vez de parar diante de minha mãe, e após ver o brilho de seus olhos beijei-a saudosamente. Adiante cumprimentei com um beijo um a um dos irmãos. Era plena madrugada no Recife que amo tanto. Ficamos a conversar até às 5h00 da matina. Em seguida ao café, pedi à mamãe para arrumar minha cama, já que estava cansado demais e precisava dormir à vontade. Sentia-me bem ao ver minha mãe com os mesmos cuidados comigo. Sua paciência e seu carinho eram os mesmos de antes comigo. Nossa família era modesta e bem unida, talvez por isso nossos pais faziam de tudo para nos agradar e nos preparar para enfrentarmos os obstáculos da vida moderna. E as praias?

 

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