Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Escolhemos a praia para irmos todos os dias. Fui ao encontro de minha ex-namorada para matar saudade, e a convidei para sairmos durante nossas férias, mas que ela teria de arrumar uma amiga para fazer companhia a Antonio. Estávamos vivendo num pequeno paraíso: pelas manhãs, íamos à praia de Boa Viagem e/ou Janga. À noite, por pura falta de opção, nos metíamos naquelas sombrias boates no bairro de Piedade, onde nenhuma atração era servida ao público, onde existiam apenas bebidas e tira-gosto de péssima qualidade. Assim se dava a nossa rotina: sem trabalho, sem garoa paulistana, muito namoro regado a bebidas, muita brincadeira e descontração, sem contar as falsas juras de amor que prosperam nesses encontros.

Nos encontramos também com velhos amigos de infância/adolescência, muitos deles amigos de copo que num futuro breve a vida se encarregaria de me afastar de (quase) todos. Aquele era um instante em que eu matava saudade de minha mãe, da família, da namorada e de muitos lugares e caminhos que costumava ir. Mas o Natal logo chegou e festejamos a data junto a nossos familiares. Depois saíamos em busca de festa, de movimento, de agito. A pessoa quando é nova busca qualquer motivo para saciar seus desejos, estando sempre pronta para descarregar sua adrenalina. Mas estávamos mesmo era apressados para ver gente que nos era cara e que nunca mais tínhamos visto.

O adolescente pensa que sabe de tudo, que está preparado para a vida e que o tempo não passa para ele. Eu era um desses... Mal rompera o ano novo, e lá estava eu rua abaixo em direção à casa de Antonio, em busca de meninas para namorar, já que o tempo passava rápido demais e as nossas férias iam chegando ao fim. Essa sensação de tempo costuma causar uma angústia em mim, como se estivesse prevendo o fim de algo, ou mesmo o prenúncio da própria morte. O jovem prefere não questionar, mesmo sem saber que o tempo urge. Detesto despedidas. Mas pelo visto eu teria de enfrentar essa realidade mais uma vez. As férias chegavam ao fim e as estradas estavam à nossa espera. A doce vida terminara e a saudade tomava conta de todo o meu ser.

 

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