Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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O mês de abril chegou, e com ele o meu pai para nos visitar. Qual seria a verdadeira intenção dele ao fazer uma viagem tão longa? Seria apenas a tentativa de vender uns selos de sua coleção como havia me dito, ou na esteira dessa viagem não estava a vontade de me persuadir a voltar para Recife? A bem da verdade fiquei surpreso e meio apreensivo com sua a chegada, mas aguardaria para ver no que dava. Um problema surgiu, pois eu tinha de trabalhar e não poderia dar a atenção que ele merecia, só sobrando à noite para isso. Durante o primeiro dia ele achou por bem sair por ali por perto a observar o andamento da cidade. E, como tudo era estranho aos seus sentidos, entendeu de me perguntar: "como era que eu havia me acostumado àquela cidade, que fazia sol e chovia ao mesmo tempo, além das pessoas serem frias umas com as outras?"

Eu não sabia por onde começar, mas Antonio percebendo a real intenção de sua visita me chamou para uma saída rápida, pois Sheila e Clarete estavam embaixo à nossa espera. Antonio dizia da sua indignação com o procedimento de um pai "coruja", ao querer interferir no meu próprio destino. Clarete me perguntou se eu ia largar tudo para ir embora, com um olhar de quem não queria isso. Falei que era muito cedo para qualquer definição, mas que gostaria de ficar. Pedi calma a Antonio, já que ele dirigia em alta velocidade, dizendo que só Deus tem poder para nos guiar no caminho correto. Rodamos à toa pela cidade e retornamos ao apartamento. As meninas terminaram por conhecer meu pai. E, depois de ouvirem dele algumas referências jocosas sobre São Paulo, em tom de brincadeira, Sheila passou a rir com ele pelo seu sotaque de português/nordestino/brasileiro. As brincadeiras serviram para atenuar o clima nada agradável, em que os nossos nervos estavam aos frangalhos. Pela primeira vez senti que começara a perder Clarete, sem ao menos tê-la por um dia.

 

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