Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Começo dos anos sessenta e eu vivia a minha adolescência. Muito livre e solto, detestava regras e disciplina. Fui um aluno difícil e cheguei a freqüentar vários estabelecimentos de ensino, sendo o Ginásio Pernambucano o mais famoso deles. Mas minhas péssimas notas eram um indicador de que não iria muito longe. Fui um adolescente inconseqüente, irreverente e contestador. Tal postura causou muito mal-estar e tristeza a meus pais, só tendo a perder sendo assim.

O tempo passava rápido e eu era só brincadeiras, bebidas, cigarros, passeios, namoros e muita irresponsabilidade. Não sinto a menor saudade desse tempo. Só contabilizei perdas e aborrecimentos nesse período que se foi. Não soube aproveitar as oportunidades que me apareciam, tanto em nível profissional como escolar, passando pelo terreno amoroso já que não conseguia me amarrar em namorada nenhuma. Deveria ter levado a sério coisas que envolviam o sentimento. Por essas e outras que hoje entendo que a alma não envelhece: ela não acompanha os efeitos cronológicos ao nosso corpo. Minha alma vive radiante, toda poesia, mas preciso tomar cuidado para não parecer ridículo, até mesmo a um simples elogio a uma bela mulher. Sim, porque belas são as mulheres, por mais predileção que eu venha a ter a uma em especial.

Minha primeira namorada surgiu quando eu estava com apenas dezoito anos. Ela, com apenas treze, era uma criança. Ao seu lado eu ficava todo ancho, como se fosse o dono do mundo. Meu ciúme era tremendo, embora fizesse o maior esforço para parecer tranqüilo. Esse ciúme carrego comigo até os dias de hoje, pois sou perfeccionista e os meus objetos os guardo com muito carinho e cuidado, imaginem quando se trata de pessoas! Assume uma maior dimensão. Esse ciúme já me prejudicou bastante nas minhas relações amorosas. Precisava administrar melhor esse sentimento para não machucar ninguém, nem a mim. Tudo era uma questão de tempo. Ah!... O tempo...

 

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