Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Uma música de Roberto Carlos diz assim: "Eu vou/voando pela vida/sem querer chegar" Eu parecia estar vivendo assim, sem sentido, sem horizontes, triste e carente. Minha carência era bem maior do que supunha. Estava trabalhando quando o telefone tocou. Era uma amiga que não via há muito tempo. Carol, o seu nome. Ela me convidara para passar o próximo sábado em sua casa, na praia de Piedade. Fiquei surpreso com aquele seu pedido. Naquele sábado à tarde, estava eu diante da porta de seu apartamento, quando a empregada dela atendeu dizendo-me: "entre, seu Luiz, Carol está no quarto de música à sua espera."

Caminhei até chegar ao quarto, encontrando-a deitada de bruços sobre o sofá, parecendo ressonar. Na vitrola, a inconfundível música de Tom Jobim ditava o clima. Parei por um bom tempo, admirando aquelas curvas... Não me contive diante da tentação que era o corpinho de Carol. Fui me abaixando, e suavemente comecei a beijar suas coxas, seus cabelos cor de mel, até tocar meus lábios naquele rosto lindo. Ela parecia indiferente àquelas minhas carícias, até que ouvi sua voz a me dizer: "seu bobo, pensa que não estou vendo, é?" Eu só quis te agradar, falei. Rapidamente ela dera um pulo, ficando de pé bem junto a mim. Eu não me cansava de admirar aquelas coxas, que ficavam à mostra dentro de uma saia curtíssima. Tinha um lenço amarrado às costas, a proteger os seios, tão cobiçados por mim.

Ela era vegetariana, comia verduras, carnes brancas, frutas. Depois de passadas algumas horas, ela resolveu me oferecer um suco de maçã. Aceitei de pronto, mas não sem antes de lhe dar um beijo e um abraço demorados. Passamos então a conversar sobre amenidades, e me falou de sua expectativa em logo se formar em administração de empresas. A música ao fundo parecia embalar aquela conversa. Foi aí que lhe falei da fase difícil pela qual passava, dos meus desencantos e descaminhos. Ela me sugeriu umas seções com o psicólogo... Nunca ninguém me falara isso, e aquela idéia me assustou. Mudamos de conversa, e quase mudos, ficamos a nos amar. Aquele era um instante em que nada me afligia, minhas dores mudavam de endereço e eu parecia ter o mundo nas mãos.

 

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